Duvido que tenha acompanhado o noticiário nacional, ontem, possa dizer que não foi impactado pelas informações sobre a prisão – e motivação – de Daniel Vorcaro.

Aliás, pelo detalhado relato - a ser confirmado -, ele bem que poderia ser chamado de Dom Vorcaro, o capo da Cosa nostra - a máfia - à brasileira.

O enredo tem tudo que conhecemos sobre a Máfia, onde quer que ela esteja estabelecida: dinheiro, corrupção, sexo, espionagem, ameaça, extorsão e violência - numa medida, esta, que ainda não podemos avaliar.

É de arrepiar.

A ser confirmado o resultado – até agora – da investigação da PF, Dom Vorcaro comprou um pedaço da República, sentiu-se dono da vida e da morte de muitos e reservou para aqueles a quem identificou como inimigos a violência mais brutal e covarde. Tudo sob a proteção de identidade de um banqueiro milionário.

A ser praticada por um “Sicário” (assassino de aluguel, que teria se matado na prisão), personagem de nome apropriado para uma rede criminosa que atuou protegida pelas sombras dos poderes. 

Dir-se-ia que é a alma de um gangster em ação.

Pode ser.

Detalhe: estava sendo protegido por quem deveria por a luz do Sol sobre ele – e é assim que agem a máfias, fazendo informantes e cúmplices nas altas rodas do poder - confirmando um clássico de Nelson Rodrigues: “Dinheiro compra até amor verdadeiro”.

Claro: o Brasil merece saber quem são os seus protetores, seus tentáculos no poder. 

A Cosa nostra, também aqui, só morre se atingida na cabeça.