Dois sargentos do 3º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento em Arapiraca, foram presos administrativamente após fazerem comentários sobre o comandante da unidade em um grupo de mensagens. A informação foi divulgada pelo deputado estadual Cabo Bebeto (PL) durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (5).
Segundo o parlamentar, os militares devem permanecer detidos por 72 horas. Ele criticou a medida e afirmou que o caso levanta questionamentos sobre o funcionamento do sistema disciplinar militar. Informações apuradas pelo portal Emergência190 indicam que a prisão ocorreu depois que os sargentos fizeram críticas a algumas determinações administrativas do comandante do batalhão.
Durante o discurso, Bebeto classificou o modelo militar como ultrapassado e disse que a legislação atual permite prisões administrativas sem amplo direito de defesa. “É um sistema arcaico, que abre brechas para que pessoas sejam presas de forma sumária, sem o devido processo legal e o direito ao contraditório”, afirmou.
Escolta policial a empresário acusado de golpe
Na mesma sessão, o deputado também questionou a concessão de escolta policial a um dos sócios de uma construtora acusada de aplicar um golpe que teria causado prejuízo superior a R$ 50 milhões em Arapiraca.
De acordo com Bebeto, o empresário estaria recebendo proteção policial autorizada pelo Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg/AL). A construtora é investigada por suspeita de venda fraudulenta de imóveis e outras negociações que teriam causado prejuízos a diversos clientes. A empresa entrou em processo de recuperação judicial.
O deputado afirmou ter recebido relatos de pessoas que dizem ter sido prejudicadas pela empresa e criticou o fato de recursos da segurança pública estarem sendo usados para proteger um dos sócios da construtora.
“Policiais estão fazendo a segurança de um desses sócios que causou um prejuízo de R$ 50 milhões para muitos homens e mulheres de bem, e o Estado está protegendo quem lesou essas pessoas”, declarou.
Medida tem respaldo legal
A escolta policial, segundo o parlamentar, foi autorizada com base em amparo legal. Ainda assim, Bebeto defendeu que esse tipo de decisão precisa ser revisto.
Ele também destacou que, com o processo de recuperação judicial da construtora, muitas das pessoas que alegam ter sido prejudicadas terão que aguardar a tramitação do caso e podem acabar recuperando apenas parte do dinheiro investido.
O caso, que teria gerado prejuízo milionário, ocorreu em Arapiraca e segue sendo alvo de questionamentos por parte de vítimas e autoridades.










