No marco de oito anos do início do desastre ambiental provocado pela mineração de sal-gema em Maceió, o empresário e ex-vereador Francisco Sales voltou a cobrar justiça nesta quarta-feira (4) para os moradores atingidos pelo afundamento de bairros inteiros da capital alagoana. Ao lembrar a data, ele afirmou que o episódio representa não apenas uma tragédia urbana sem precedentes, mas também “oito anos de impunidade quase absoluta em favor da criminosa Braskem”.

A referência é ao dia 3 de março de 2018, quando um tremor de terra registrado no bairro do Pinheiro revelou a instabilidade do solo causada pela atividade de mineração e marcou o início da crise que levaria ao esvaziamento de bairros inteiros da cidade. O fenômeno acabou atingindo comunidades históricas como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto.

Para Sales, os oito anos completados nesta semana simbolizam também um longo período de injustiça diante de um dos maiores desastres socioambientais urbanos já registrados no Brasil e no mundo. Segundo ele, milhares de famílias foram obrigadas a deixar suas casas, bairros inteiros desapareceram do mapa da cidade e comunidades tradicionais foram desfeitas de forma abrupta.

“Já se passaram oito anos desde que Maceió começou a viver essa tragédia. Infelizmente, também são oito anos de impunidade quase absoluta em favor de uma empresa criminosa como a Braskem. Bairros inteiros foram destruídos, famílias perderam tudo e até hoje a responsabilização segue muito aquém do que essa tragédia exige”, afirmou.

Durante seu mandato na Câmara Municipal de Maceió, Francisco Sales foi um dos vereadores que mais atuaram no acompanhamento e na investigação do caso envolvendo a mineradora. Ele presidiu a Comissão Especial de Investigação (CEI) criada pelo Legislativo municipal para apurar responsabilidades da empresa na instabilidade do solo provocada pela exploração de sal-gema.

À frente da comissão, Sales conduziu audiências públicas, convocou representantes da empresa, cobrou documentos e pressionou por esclarecimentos sobre os impactos da atividade mineradora na capital alagoana. Segundo ele, o trabalho buscou dar voz aos moradores atingidos e registrar institucionalmente a gravidade do desastre.

“O que aconteceu em Maceió não foi um problema pontual nem um incidente isolado. Foram bairros inteiros apagados do mapa da cidade, comunidades desfeitas e histórias de vida interrompidas de forma abrupta. O mínimo que essas famílias merecem é justiça verdadeira e responsabilização clara pelos danos causados”, declarou.

O ex-vereador também criticou o modelo de compensação financeira adotado no processo conduzido após o desastre. Para ele, a narrativa de que houve ampla indenização não corresponde à realidade enfrentada por muitas famílias atingidas.

“A verdade precisa ser dita com clareza: a Braskem não ‘indenizou’ as pessoas como deveria. Na maioria dos casos, o que houve foi a simples compra dos imóveis e não uma reparação justa pelos danos causados. Muitas famílias receberam valores insuficientes e ainda existem moradores que enfrentam pendências até hoje”, afirmou.

Francisco Sales defende que a sociedade alagoana continue acompanhando e cobrando respostas sobre o caso, mesmo após tantos anos desde o início da tragédia. Para ele, manter o tema em evidência é fundamental para impedir que o tempo apague responsabilidades.

“Oito anos depois, essa ainda é uma ferida aberta na história de Maceió. Enquanto não houver justiça verdadeira para os moradores atingidos, essa tragédia continuará presente na memória da cidade. O que aconteceu não pode ser esquecido e muito menos normalizado”, concluiu.