Por meio de Nota de Repúdio encaminhada à imprensa nessa quarta-feira (25), a Unidade Popular (UP) repudiou o retorno do médico Gustavo Pontes ao cargo de secretário de Estado da Saúde.
A UP foi praticamente a única legenda de esquerda em Alagoas a se posicionar sobre o assunto e considerou a recondução de Gustavo, pelo governador Paulo Dantas, como “irresponsável e moralmente inaceitável”.
Na nota, a UP também cobrou o afastamento imediato do secretário, uma posição mais contundente por parte da Assembleia Legislativa de Alagoas e criticou o silêncio “omisso” de partidos e entidades da sociedade civil organizada.
Confira a nota na íntegra:
A Unidade Popular (UP) denuncia como politicamente irresponsável e moralmente inaceitável a decisão do governo de Paulo Dantas (MDB) de manter e reconduzir Gustavo Pontes de Miranda ao comando da Secretaria de Estado da Saúde, mesmo após seu afastamento por decisão judicial no contexto de investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).
As investigações envolvem contratações diretas realizadas no âmbito da Sesau que somam quase R$ 100 milhões, com indícios de favorecimento, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. Em 16 de dezembro de 2025, a Operação Estágio IV expôs a gravidade do caso e levou ao afastamento do secretário. Posteriormente, uma liminar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão monocrática, suspendeu o afastamento e outras restrições, permitindo sua recondução ao cargo por ato do governador.
A UP afirma com clareza: saúde pública não pode ser administrada sob suspeita de desvios milionários. O Sistema Único de Saúde exige confiança pública, transparência e controle social. Alagoas enfrenta problemas reais e cotidianos na rede de atendimento, com pressão permanente sobre os serviços, indicadores sensíveis e profundas desigualdades territoriais. As UPAs, que são unidades de pronto-atendimento, estão sobrecarregadas com internamentos que ultrapassam mais de quinze dias, porque não há regulação eficiente para os leitos de hospitais, resultando em agravamentos de quadros e até óbitos, principalmente de pacientes idosos. Diante desse cenário, é ainda mais grave qualquer decisão que fragilize a credibilidade da gestão e aprofunde a sensação de impunidade.
Nosso programa é radicalmente popular: defendemos saúde pública e gratuita para todos e todas, sob controle da sociedade civil organizada, e exigimos punição efetiva aos corruptos, com confisco de bens. Corrupção é roubo direto do direito do povo.
Diante disso, a Unidade Popular exige:
Afastamento imediato de Gustavo Pontes de Miranda, por cautela administrativa e respeito ao interesse público, até o esclarecimento integral dos fatos.
Transparência total dos contratos emergenciais e das contratações diretas investigadas, com publicação acessível de processos, valores, empresas, aditivos, notas de empenho, fiscalização e responsáveis, no período de 2023 a 2025.
Auditoria independente, com participação dos órgãos de controle e do controle social do SUS, além de prestação de contas públicas, com cronograma, resultados e providências.
Que a Assembleia Legislativa de Alagoas cumpra seu papel fiscalizador, convoque imediatamente a Sesau e apresente explicações detalhadas sobre os contratos investigados e as razões políticas da recondução.
A UP também denuncia um fato político grave: o silêncio dos partidos e de representantes que deveriam fiscalizar o Executivo, diante de suspeitas de desvio de recursos da Saúde, não é neutralidade, é cumplicidade por omissão.
A saúde do povo de Alagoas não pode ser moeda de acordos, nem refém de decisões que afrontam a dignidade de quem depende do SUS.
A Unidade Popular seguirá denunciando, organizando e mobilizando o povo trabalhador para impor transparência, responsabilização e participação popular na gestão da Saúde.
Unidade Popular – Alagoas
25 de fevereiro de 2026










