O CM Cast, podcast voltado à análise dos bastidores da política local e nacional, lançou nesta quarta-feira (25) um episódio em que os jornalistas Carlos Melo, diretor do Grupo CadaMinuto, e Ricardo Mota discutem qual foi o pior escândalo político e os impactos do caso entre os eleitores alagoanos.

Na conversa, os jornalistas colocam em pauta os desdobramentos do caso da Sesau, as denúncias envolvendo o Banco Master e o escândalo de propina na Prefeitura de Murici, analisando impactos, responsabilidades e as consequências no cenário político do Estado.

Ao longo do episódio, Carlos Melo resgata a imagem que deu origem ao debate: a presença do então secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda — que retornou ao cargo após decisão liminar do STJ nessa terça-feira (24) — na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, inclusive integrando a foto oficial divulgada pela Casa.

Para Melo, a cena foi “chocante”, sobretudo diante da gravidade das suspeitas que envolvem a pasta, com investigação sobre o desvio de R$ 100 milhões dos cofres do Estado, nas ações da Secretaria de Saúde.

Já Ricardo Mota avalia que o episódio simboliza algo maior, a banalização dos escândalos. “Faz parte da paisagem o escândalo”, afirma, ao sustentar que denúncias graves acabam sendo absorvidas pelo cotidiano político sem gerar constrangimento proporcional.

Ao analisar o caso da Sesau, os jornalistas destacam o peso institucional de uma investigação que atinge diretamente a área da saúde pública. Mota lembra que o volume citado nas apurações “não é brincadeira, é muita grana”, mas questiona se isso, de fato, altera o comportamento do eleitor. Para ele, a experiência recente mostra que não necessariamente.

O debate avança para o caso do Banco Master, envolvendo a Prefeitura de Maceió. Melo observa que a ausência de um posicionamento pessoal mais claro por parte de JHC (PL) contribui para manter dúvidas no ar. Mota reforça que, em situações como essa, o silêncio também passa uma mensagem e alimenta a percepção de falta de explicações públicas diretas.

Quando o assunto é a investigação sobre propina na Prefeitura de Murici, os profissionais discutem a força das estruturas políticas tradicionais no interior do Estado. Ricardo destaca que operações e denúncias anteriores não impediram a continuidade eleitoral de grupos políticos consolidados. “No final das contas, o eleitor define o voto por outros critérios”, avalia.

Um dos pontos centrais do episódio é a reflexão sobre o comportamento do eleitorado. Mota afirma que, em um cenário de polarização, há uma tendência de relativizar os problemas do próprio grupo político. Ele resume essa lógica com uma frase que marca a conversa: “Eu vou escolher meu sujinho de estimação.”

Para os jornalistas, a pergunta sobre qual é o pior escândalo não se responde apenas pelo valor envolvido ou pela gravidade jurídica, mas pelo efeito prático que produzem. Se não há consequência eleitoral ou política relevante, argumentam, todos acabam gerando um mesmo resultado: o enfraquecimento da confiança pública nas instituições.

Os episódios do CM Cast vão ao ar às segundas e quintas-feiras, sempre a partir das 12h.