(Atualizada às 14h30)
A família de um paciente com risco de falência renal, internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Trapiche, em Maceió, denunciou, na manhã desta sexta-feira (20), descaso e demora na transferência para outra unidade hospitalar.
Segundo a esposa, a professora Adélia Vertano, ele deu entrada na UPA na última sexta-feira (13), com dores abdominais e vômitos. Após a realização de exames, foi diagnosticado com pedra nos rins e precisaria passar por cirurgia para a retirada do cálculo.
Como a UPA não realiza esse tipo de procedimento, o caso depende de transferência para um hospital. Com a demora no encaminhamento, no entanto, o quadro clínico se agravou e o paciente evoluiu para insuficiência renal.
“Ontem [quinta-feira, 19], devido à gravidade, ele foi encaminhado para o que eles chamam de vaga zero, que indica que o paciente está em situação de extrema urgência, e mesmo assim continuamos sem previsão de transferência”, escreveu Adélia nas redes sociais.
Além dele, outros pacientes aguardam transferência há mais de 20 dias. De acordo com a professora, alguns recorreram à Defensoria Pública. Nesses casos, a unidade teria o prazo de 24 horas para apresentar relatório médico ao órgão, para que o Estado solicite a transferência, mas, segundo ela, o procedimento ainda não foi concluído.
“O meu marido corre o risco de entrar em falência renal a qualquer momento, podendo precisar de diálise para o resto da vida ou até de um transplante. Isso devido à negligência na transferência dos pacientes”, afirmou.
A UPA do Trapiche é de responsabilidade da Prefeitura de Maceió, enquanto parte dos hospitais que recebem pacientes regulados é administrada pelo Governo do Estado. “Essa situação chega a ser inconcebível, já que o Estado conta atualmente com inúmeros hospitais de alta complexidade em todas as regiões”, declarou a professora.
A reportagem do CadaMinuto entrou em contato com a assessoria de comunicação da unidade de saúde, que informou que a responsabilidade das transferências em casos clínicos graves é da central de regulação do estado. A reportagem também tentou falar com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) para esclarecer a demora e saber quais providências serão adotadas, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Nota
Por volta das 14h, a UPA Trapiche da Barra informou, em Nota à Imprensa, que o paciente foi transferido para Arapiraca.
Confira a íntegra:
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Trapiche da Barra informa que o paciente J. S. foi transferido no início da tarde desta sexta-feira (20) para um hospital de referência em Arapiraca. Enquanto esteve na UPA, o paciente permaneceu sob monitoramento contínuo, com suporte médico, de enfermagem e assistência integral, garantindo segurança e estabilidade clínica durante o período de espera.
Esclarecemos, ainda, que o paciente não estava dentro do protocolo de “Vaga Zero” (mecanismo que faz o hospital receber o paciente, mesmo sem ter vaga, criando um leito extra devido à uma maior emergência no quadro clínico). No entanto, a Unidade adotou todas as medidas cabíveis para que a transferência ocorresse o mais rápido possível.
Em relação aos demais pacientes que também aguardam transferência, ressaltamos que as transferências hospitalares não são realizadas diretamente pela UPA, sendo de responsabilidade da Central de Regulação, tanto em âmbito municipal quanto estadual. É a Central que avalia cada caso, define a unidade de destino e disponibiliza a vaga hospitalar, de acordo com critérios técnicos, gravidade do quadro e disponibilidade na rede.
A UPA Trapiche da Barra segue mantendo contato permanente com a Central de Regulação, cobrando celeridade nos encaminhamentos e reforçando as necessidades assistenciais de cada paciente.
Contamos com a compreensão da população e reafirmamos nosso compromisso com a transparência, responsabilidade e cuidado com todos os usuários do SUS.
Atenciosamente,
Luzalaneide Souza
Diretora-geral da UPA Trapiche da Barra.
*Estagiária sob supervisão da editoria
Foto de capa: Reprodução/redes sociais










