A história é bem assim: mais um dia de Carnaval, em  Ibateguara, município alagoano que fica localizado na microrregião serrana dos quilombos, a cidade do frio, conhecida como “Suíça” alagoana.

Na segunda-feira de carnaval  pelas ruas do município acontecia o desfile dos bonecos gigantes, representando personagens da cidade e, no meio da folia, uma jornalista da TV Gazeta de Alagoas, entrevistava Jaime Guimarães, o organizador do Bloco Carnavalesco, uma tradição do municipio.

Legal!

Entre cantigas do Bloco Carnavalesco e animação do  povo na rua, Jaime  fala  sobre a tradição , história dos desfiles e dos 14  bonecos gigantes, e em um dado momento o cabra falou todo orgulhoso:- a mais nova integrante dessa turma é o boneco (no caso boneca) da Cidinha, uma pessoa  especial, catadora de reciclagem que é muito querida na cidade.

Todo mundo gosta dela!- acrescenta.

Uau! Que legal!-pensa esta ativista.

E o que fez a jornalista?

Ficou tô nem aí. Nem tuuuú.

Ignorou  Cidinha e sua boneca gigante, ali, ao lado, e a singeleza da  homenagem , inclusiva e humanizada que a cidade fez pra catadora.

Quer dizer: simplesmente perdeu a chance de dar um bom destaque jornalístico, a  algo importante em tempos áridos e indiferentes,ou seja, a humanização e o respeito coletivo, em relação às diferenças.

Em vida, Miss Paripueira era alvo das pedras alheias, em Ibateguara, Cidinha é abraçada pela cidade.

Entendeu?

E, a homenageada estava à frente do desfile toda auspiciosa, parecia minúscula ao lado da sócia-boneca , carregando uma sobrinha multicolorida e um  sorriso cheio de contentamento, enquanto frevando, desfrutava de todo prestígio que lhe foi concedido pelos ibatequarenses.

Salve, Cidinha, de Ibateguara, a pessoa ‘especial’ , negra e catadora de recicláveis entronizada , por uma cidade todinha e a jornalista da TV Gazeta de Alagoas perdeu a chance do registro.

Uma pena!