“Dinheiro compra até amor verdadeiro”, disse o teatrólogo, jornalista e tricolor (não necessariamente nessa ordem).

Eu diria que ele quase sempre tem razão: o dinheiro compra muitos, mas só os que estão à venda – e não são poucos.

Fato concreto: o caso do Banco Master, eis o busílis, escancara a vulnerabilidade das nossas instituições.

Quando alguém ascende ao poder, uma droga que toma coração e mente, fica ainda mais vulnerável àquilo que a deveriam combater: o uso e o abuso do poder.

O dinheiro do banqueiro Vorcaro, sabe-se agora, comprou um bom pedaço da República. 

O grave nessa história é que eles estão em posição de comando, em condições de encobrir o crime, até para cobrir suas próprias vergonhas.

Por mais provocador que fosse, e era muito, Nelson Rodrigues haveria de repudiar outra máxima: 

- Qualquer um faria o mesmo se estivesse no lugar deles (delas).

É graças a essa parcela da população, majoritária, ainda que silenciosa, que o Brasil não se tornou nem se tornará uma cleptocracia – por mais que pareça o contrário. 

Termino com Apparício Torelly, o Barão de Itararé:

- O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.

Seja qual for o tratamento formal a ele destinado.