O CM Cast lançou, nesta quinta-feira (5), um novo episódio com a participação de Ronaldo Lessa (PDT), engenheiro civil, ex-prefeito de Maceió, ex-governador por dois mandados e atual vice-governador de Alagoas.

Durante a entrevista, conduzida pelos jornalistas Carlos Melo, diretor-executivo do CadaMinuto, e Ricardo Mota, Lessa falou sobre os planos para este ano, inclusive que o seu objetivo é brigar por uma vaga ao Senado Federal, enfrentando Renan Calheiros (MDB), Arthur Lira (PP) e Alfredo Gaspar (PL).

Ao longo da conversa com os jornalistas, Lessa explicou que qualquer definição eleitoral depende da permanência do governador Paulo Dantas (MDB) no cargo até o fim do mandato. Segundo ele, como vice, não pode antecipar decisões sem saber qual será o movimento do titular.

“Eu fui eleito para ser vice. Não posso decidir nada sem saber o que o Paulo vai fazer”, afirmou. Lessa lembrou que Dantas tem reiterado que ficará no governo, o que o deixa mais livre para discutir outros caminhos eleitorais.

O vice-governador destacou ainda que se sente responsável por representar um campo progressista dentro da gestão. “A voz da esquerda, da centro-esquerda, está dentro do governo”, disse, citando avanços em políticas voltadas a quilombolas, povos indígenas, população LGBT e outros grupos vulneráveis.

Segundo Lessa, se Paulo Dantas deixar o cargo para disputar a eleição, ele assume o governo por nove meses, mas isso não permite outra candidatura que não seja a reeleição. “Ou é reeleição, ou não é candidato”, afirmou, descartando decisões precipitadas.

Ao mencionar o atual cenário de disputa ao Senado, Lessa apontou um vazio político. Para ele, os principais nomes colocados não representam a esquerda ou a centro-esquerda em Alagoas.

“Hoje, na disputa ao Senado, temos três nomes fortes e nenhum deles é da esquerda”, disse, ao classificar Renan Calheiros como centro-direita, Arthur Lira como direita fisiológica e Alfredo Gaspar como direita ideológica, que ele define como extrema-direita.

Lessa afirmou ainda a Melo e Mota, que esse espaço é justamente o que o motiva. “Esse campo precisa ser representado. Trabalhadores e servidores públicos precisam ter voz no Senado”, afirmou, destacando o peso estratégico da Casa nas decisões nacionais.

Questionado pelos jornalistas sobre disputar cargos proporcionais, como deputado estadual ou federal, o ex-governador descartou a hipótese. Segundo ele, essas eleições hoje dependem de estrutura e recursos financeiros. “E eu não tenho isso. Nunca tive”, disse.

O ex-prefeito de Maceió também afirmou que não se sentiria confortável em buscar um mandato apenas por ser mais fácil. “Depois de tudo que o povo de Alagoas me deu, isso seria pequeno”, declarou.

Ao comparar eleições majoritárias e proporcionais, Lessa avaliou que o voto progressista tem mais chance na disputa ao Senado. “Para senador, o voto é mais livre, menos preso à máquina local”, afirmou.

Lessa comentou ainda as dificuldades do PDT em Alagoas, especialmente pela ausência de federação partidária. Segundo ele, isso pesa na decisão de não disputar uma vaga na Câmara Federal.

Durante a entrevista, o vice-governador falou também sobre a saúde, afirmando que passou por uma recaída recente, mas respondeu bem ao tratamento. “Não é cura, é controle. Mas estou bem”, disse.

Sobre o cenário estadual, Lessa afirmou não se sentir representado nem por JHC nem por Renan Filho, apesar de reconhecer méritos administrativos. “Respeito, dialogo, mas não é o meu campo”, resumiu.

Ele revelou ainda ter recebido sinais recentes para a candidatura ao Senado, inclusive de setores inesperados. “Não sou candidatura decorativa. Tenho história, eleitorado e rejeição baixa”, afirmou.

Por fim, ao comentar o tamanho atual do PDT no estado, reconheceu as limitações, mas destacou a capacidade de diálogo com setores excluídos e movimentos sociais. “Mais importante que o tamanho formal é o campo político que conseguimos dialogar”, concluiu.

Os episódios do CM Cast vão ao ar às segundas e quintas-feiras, a partir das 12h.