O senador Renan Calheiros deve apresentar, nos próximos dias, um plano de trabalho estruturado no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que permitirá que o Senado Federal apure a crise envolvendo o Banco Master. O documento propõe uma investigação com foco técnico e institucional.

A apuração deve ser organizada em frentes simultâneas, incluindo visitas formais a autoridades responsáveis pela supervisão do sistema financeiro, convocações de dirigentes, realização de audiências públicas temáticas e eventual contratação de auditorias independentes. Também está prevista a possibilidade de acesso a informações protegidas por sigilo.

A primeira etapa contempla encontros institucionais com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin; com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo; com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e com o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo Filho. A avaliação da comissão é que o alinhamento com esses órgãos é necessário para evitar conflitos institucionais e delimitar o alcance das investigações em curso.

Além disso, o cronograma prevê também audiências públicas sobre a liquidação extrajudicial do banco, a atuação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, o papel do Fundo Garantidor de Créditos no ressarcimento de investidores e a responsabilidade das auditorias externas que validaram as demonstrações financeiras da instituição antes da intervenção.

A pasta também autoriza a requisição de documentos, diligências e pedidos de apoio técnico às consultorias do Senado e a órgãos de controle. Ao final dos trabalhos, a CAE deverá consolidar um relatório com conclusões e recomendações, que podem resultar em propostas legislativas para o fortalecimento da fiscalização do sistema financeiro.

Nos bastidores, a condução da apuração por meio de uma comissão permanente é vista como uma alternativa mais rápida e menos sujeita à politização do que a abertura imediata de uma CPI, especialmente em um contexto pré-eleitoral. 

A estratégia permitiria avançar na investigação mantendo a interlocução institucional com o Judiciário e os órgãos de controle, mesmo com requerimentos de CPI tramitando paralelamente.