Com a aproximação das eleições de 2026, o ecossistema digital brasileiro volta a ser bombardeado por uma praga já conhecida, mas cada vez mais sofisticada: a notícia fabricada. O que preocupa não é apenas a mentira em si, mas a origem dela. No vácuo da regulamentação, surgem figuras que se autointitulam jornalistas para operar blogs e redes sociais como verdadeiras usinas de boatos, atropelando o pilar fundamental da profissão: a apuração.
O exemplo mais recente dessa prática nociva atingiu a política de Pilar/AL. Uma matéria que circula com tons alarmistas, afirmando que o grupo governista estaria em "explosão" e "crise profunda”. “Os bastidores da política de Pilar explodiram em uma crise que escancarou disputa de poder, desconfiança e perda de controle no grupo governista. O estopim foi a pressão pela saída de Clewinho da Secretaria de Educação, revelando um conflito que vai muito além de uma simples troca de cargos” diz um trecho da matéria.
O texto mentiroso utilizava o termo "pressão pela saída" do secretário de Educação, Clewinho Cavalcante, para tentar desenhar um cenário de descontrole político. No entanto, o que se viu na prática foi o oposto do que foi publicado.
A Resposta dos Fatos
Em contato direto com Renato Filho nesta quarta-feira, 14, ele desmentiu categoricamente os boatos para a nossa reportagem. Segundo ele, o relacionamento com Clewinho Cavalcante é "fora de série". O ex-prefeito explicou que a "matéria" foi construída sobre uma interpretação deliberadamente errada de um vídeo seu, onde fazia críticas indiretas a opositores — e não a aliados.
"Sem apurar a real situação, fizeram a postagem da matéria a seu bel-prazer", pontuou Renato, atribuindo o ataque a opositores de plantão que usam o anonimato digital para tentar desestabilizar gestões aprovadas pela população.
A Prova no Planejamento
Enquanto a mentira tentava plantar a discórdia, o trabalho continuava. O próprio secretário Clewinho Cavalcante aparece como protagonista numa foto (acima) publicada pelo “Pilar Polêmico” que postou em suas redes sociais hoje (quarta) para registrar uma reunião de planejamento do secretário sobre o calendário letivo de 2026 com diretores e coordenadores. A imagem inclusive com a presença de Renato Filho, de união e foco em metas educacionais serve como o "balde de água fria" necessário para apagar o incêndio fictício criado pelos blogs de aluguel.
Análise: O Perigo dos "Pseudo-Jornalistas"
O jornalismo exige contraponto. Publicar uma acusação ou um cenário de crise sem ouvir o "outro lado" não é erro de principiante; no contexto eleitoral, é estratégia de manipulação.
- A falta de apuração: Blogs que publicam "fofocas políticas" como se fossem fatos consumados ferem o Código de Ética dos Jornalistas.
- O impacto democrático: Quando o eleitor é alimentado por mentiras, sua capacidade de julgamento é comprometida.
- A responsabilidade digital: É preciso que o leitor questione a fonte. Quem assina a matéria? O veículo tem histórico de credibilidade? Houve tentativa de ouvir os citados?
Conclusão: A política deve ser o campo das ideias e dos projetos, não o esgoto de ataques pessoais e narrativas fantasiosas. O caso de Pilar é um alerta: em ano eleitoral, a verdade é a primeira vítima, mas o jornalismo sério continua sendo o único antídoto eficaz.










