A Universidade Federal de Alagoas iniciará 2026 com um orçamento 13% menor do que o de 2025, resultado de cortes na Lei Orçamentária Anual (LOA) e das perdas inflacionárias. A redução inclui quase R$ 7 milhões a menos nos recursos de manutenção e um corte de cerca de R$ 600 mil na assistência estudantil, o que deve impactar contratos essenciais, como limpeza e segurança, além do apoio aos estudantes. O alerta foi feito pelo reitor Josealdo Tonholo, que classifica o cenário como preocupante para o funcionamento regular da instituição.
Segundo Tonholo, a diminuição dos recursos compromete o mínimo necessário para manter a universidade operando plenamente. “Começaremos 2026 com um orçamento bastante inferior ao mínimo necessário para fazer a universidade funcionar a contento. Saímos com uma perda de pelo menos 13% em relação ao ano passado, considerando o corte da LOA e a perda inflacionária”, afirmou.
Diante da situação, o reitor se uniu aos demais reitores e reitoras das universidades federais do Nordeste e assinou uma nota conjunta que pede a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Educação Superior (Ifes), com o objetivo de garantir inclusão social e desenvolvimento regional.
Apesar das dificuldades financeiras, Tonholo ressaltou que a Ufal deixou de ser uma universidade pequena e tem papel estratégico no desenvolvimento de Alagoas, por meio da formação de profissionais, da pesquisa e das ações de extensão. Ele destacou o desempenho do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, que recebeu 98% de avaliações excelentes dos usuários.
O reitor informou ainda que a Ufal continuará o diálogo com o Ministério da Educação (MEC) e com a bancada federal. A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) prevê uma reunião com o ministro Camilo Santana no final de janeiro para tratar do tema. Também seguem as articulações com as prefeituras dos municípios onde a universidade está presente e a parceria com o governo do estado de Alagoas.
Mesmo com o cenário orçamentário restritivo, Tonholo destacou avanços na pesquisa e na pós-graduação, com ampliação da oferta de cursos e melhoria das notas junto à Capes, além da criação de novos cursos estratégicos, como a graduação em Inteligência Artificial, que terá início no segundo semestre de 2026, com seleção pelo Enem/Sisu.
Por fim, o reitor ressaltou o apoio da bancada federal por meio de emendas parlamentares, citando contribuições de deputados e senadores para diferentes campi e projetos da universidade, além de um aporte de R$ 6 milhões. Segundo ele, o apoio é fundamental para minimizar os impactos dos cortes e garantir a continuidade das atividades da Ufal.
Confira abaixo a nota conjunta assinada por reitores e reitoras das Ifes do Nordeste
Universidades federais do Nordeste defendem recomposição orçamentária para garantir inclusão e desenvolvimento regional
Em nota recente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) alertou toda a sociedade brasileira para sua profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das universidades federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2026. Em especial, a manifestação destacou a grave situação do orçamento destinado à Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), cujo nível de financiamento compromete diretamente a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica nas instituições federais de ensino superior.
As universidades federais constituem instrumentos estratégicos para o enfrentamento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, bem como para a promoção da inclusão social. Nas últimas décadas, essas instituições passaram por um intenso processo de expansão e interiorização, ampliando de forma significativa o acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.
No Nordeste, essa política pública teve papel decisivo na democratização do acesso à universidade e na indução de um desenvolvimento regional consistente e sustentável, alicerçado na educação, na ciência, na tecnologia e na inovação, contribuindo para o reposicionamento da região no cenário nacional. Destaca-se, ainda, a relevante atuação das universidades na promoção da cultura e na oferta de serviços e ações de saúde de qualidade à população.
Diante desse contexto, somado ao fato de que a proposta orçamentária para 2026 enviada ao Congresso Nacional pelo governo federal já se mostrava insuficiente para fazer frente às necessidades de nossas comunidades acadêmicas, nós, reitoras e reitores das universidades federais do Nordeste, plenamente conscientes do papel estratégico de nossas instituições para o desenvolvimento social, econômico e humano da região, reforçamos a urgente necessidade de recomposição e suplementação do orçamento das universidades federais. Reafirmamos, ainda, nosso compromisso permanente com a defesa de um financiamento adequado e sustentável da educação superior pública, gratuita e de qualidade, condição indispensável para a garantia do direito à educação e para o futuro do país.
Reitor Roque do Nascimento Albuquerque
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab)
Reitor Paulo César Miguez de Oliveira
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Reitora Terezinha Domiciano
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Reitor Josealdo Tonholo
Universidade Federal de Alagoas (Ufal)
Reitor Camilo Allyson Simões de Farias
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Reitor Alfredo Macedo Gomes
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Reitor André Maurício Conceição de Souza
Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Reitor Airon Aparecido Silva de Melo
Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape)
Reitor Silvério de Paiva Freitas Júnior
Universidade Federal do Cariri (UFCA)
Reitor Custódio Luís Silva de Almeida
Universidade Federal do Ceará (UFC)
Reitor João Paulo Sales Macedo
Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPAR)
Reitor Fernando Carvalho Silva
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Reitor Jacques Antonio de Miranda
Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob)
Reitora Nadir do Nascimento Nogueira
Universidade Federal do Piauí (UFPI)
Reitora Georgina Gonçalves Dos Santos
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Reitor José Daniel Diniz Melo
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Reitora Joana Angélica Guimarães da Luz
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
Reitor Telio Nobre Leite
Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf)
Reitora Maria José de Sena
Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
Reitor Rodrigo Nogueira de Codes
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa)
*Com assessoria









