A prisão do homem que confessou o assassinato de Cícera Laura da Silva, de 47 anos, no Bosque das Arapiracas, em Arapiraca, revelou um histórico de violência e indícios de outros crimes sexuais atribuídos ao suspeito, descrito pela Polícia Civil como um possível agressor sexual recorrente.

O homem, de 31 anos, natural de Marau, no Rio Grande do Sul, foi preso na manhã desta quarta-feira (7) no local onde trabalhava, em uma serralheria situada no bairro Alto do Cruzeiro, área próxima ao local do crime. Segundo a polícia, ele foi identificado por meio de imagens de câmeras de segurança e confessou o homicídio no momento da abordagem.

Após a prisão, o suspeito conduziu os agentes até a residência onde morava, também em Arapiraca. No local, foram apreendidas as vestimentas utilizadas no crime — como bermuda, camisa, boné e tênis — reconhecidas a partir das imagens de monitoramento. Os policiais também encontraram simulacros de armas de fogo, armas brancas e pen drives, que serão submetidos à perícia para verificar a existência de conteúdo ilícito.

De acordo com o delegado Mateus Enrique, a forma de agir do suspeito, o local escolhido e o perfil das vítimas reforçam a suspeita de um padrão de conduta criminosa. Os ataques teriam ocorrido no Bosque das Arapiracas e tinham sempre mulheres como alvo, variando entre perseguições, toques nas partes íntimas e exposição da genitália.

Um detalhe físico foi decisivo para a identificação do suspeito por outras vítimas: uma cicatriz na região do abdômen, próxima ao umbigo. Após a prisão, duas mulheres compareceram à delegacia para registrar boletins de ocorrência por importunação sexual praticada pelo mesmo indivíduo.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito possui antecedentes criminais no Rio Grande do Sul, incluindo registros por porte ilegal de arma de fogo e violência doméstica. Ele já havia residido anteriormente em Arapiraca, retornado ao Sul e, posteriormente, voltado a morar em Alagoas, onde mantinha um relacionamento.

O crime ocorreu no domingo (4). Cícera Laura saiu de casa por volta das 4h30 para realizar uma caminhada e foi abordada cerca de meia hora depois, nos arredores do Bosque das Arapiracas. Uma câmera de segurança registrou o momento em que a vítima foi atacada. Desde então, a família iniciou buscas e mobilizações nas redes sociais.

O corpo de Cícera foi encontrado na tarde da terça-feira (6) por equipes do Corpo de Bombeiros, em uma área de mata dentro do bosque. A Polícia Militar confirmou que o corpo não apresentava as vestes inferiores.

O suspeito responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e possível estupro. Ele permanece sob custódia do Poder Judiciário, aguardando a conclusão do inquérito policial e a realização da audiência de custódia. A polícia ainda apura se há outras vítimas e se o caso se enquadra em um perfil de agressor serial, o que dependerá de análises periciais e psicológicas.