O CM Cast, podcast dedicado à análise dos bastidores da política local e nacional, lançou nesta sexta-feira (19) um episódio em que os jornalistas Carlos Melo, diretor do Grupo CadaMinuto, e Ricardo Mota discutem qual deve ser a estratégia de defesa do secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, afastado do cargo por 180 dias após operação da Polícia Federal.

No episódio, os jornalistas analisam os desdobramentos da Operação Estágio IV, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na área da saúde em Alagoas. As apurações apontam para pagamentos indevidos que podem chegar a quase R$ 100 milhões.

Durante o episódio, Carlos Melo e Ricardo Mota destacaram que a operação da PF não causou surpresa nos bastidores políticos de Alagoas. Segundo os jornalistas, havia comentários recorrentes de que as investigações sobre a Secretaria de Estado da Saúde “uma hora iriam estourar”.

“Não houve surpresa. Deputados ligados ao próprio governo já diziam que isso iria acontecer”, afirmou Ricardo Mota, ressaltando, no entanto, que se trata de uma investigação em curso e que a presunção de inocência deve ser respeitada.

Os jornalistas enfatizaram que a operação envolveu não apenas a Polícia Federal, mas também a Controladoria-Geral da União (CGU), a Receita Federal, o Ministério Público Federal e decisões da Justiça Federal.

Para Mota, a participação conjunta de tantos órgãos enfraquece a tese de que a investigação teria se baseado apenas em boatos. “Não consigo imaginar instituições desse nível agindo a partir do nada”, disse.

Ao analisar a estratégia inicial da defesa do secretário afastado, que questionou a competência da Polícia Federal para conduzir a investigação, Ricardo Mota avaliou que o argumento desvia o foco central do caso.

“Quando alguém é acusado de desvio, o esperado é que responda sobre os fatos, não sobre quem investiga”, afirmou. Para ele, a discussão deveria se concentrar na existência ou não de irregularidades e no destino dos recursos públicos.

Carlos Melo reforçou que a operação aponta indícios de um esquema robusto, com suspeitas de desvio de quase R$ 100 milhões, além de cerca de R$ 18 milhões em procedimentos supostamente realizados por clínicas sem capacidade técnica.

Segundo ele, “os valores citados e os cruzamentos de dados bancários e patrimoniais indicam uma investigação profunda, que não nasce do improviso”.

No debate, os jornalistas também destacaram o impacto ético do caso. Ricardo Mota lembrou o princípio conhecido como “a mulher de César”, segundo o qual agentes públicos devem não apenas ser honestos, mas também parecer honestos.

Outro ponto levantado foi a apreensão de grandes quantias de dinheiro em espécie durante a operação. Para Mota, embora guardar dinheiro em casa não seja crime, a prática foge à normalidade.

Ao longo do episódio, os comentaristas reforçaram a importância da Polícia Federal como instituição de Estado. “A PF incomoda porque é independente”, avaliou Mota, ao destacar que operações semelhantes têm atingido diferentes grupos políticos em todo o país.

Por fim, os jornalistas ressaltaram que a defesa do secretário deve se concentrar no mérito das acusações e na origem dos recursos investigados.

“A presunção de inocência deve sempre existir”, afirmou Carlos Melo, “mas a pergunta central permanece: houve desvio de dinheiro da saúde pública ou não?”.

Os episódios do CM Cast vão ao ar às segundas e quintas-feiras, sempre a partir das 12h.