Nesta sexta-feira, 29/08, oInstituto Maria Edite da Silva – Casa das Marias, de Taquarana, concluiu a primeira fase do projeto “Informaria: inclusão de mulheres rurais e negras na tecnologia” com o evento de entrega de certificados às alunas de duas turmas do curso de informática iniciante para mulheres adultas.

Foram oferecidas 20 vagas para cada turma, em turnos e carga horária diferentes - 74 e 42 horas-aula -, no objetivo de alcançar o público feminino, acima dos 18 anos, rurais e quilombolas, totalizando 40 vagas. Iniciativas como esta da Casa das Marias é tendência positiva, no país,para o aumento das formações e iniciativas direcionadas especificamente para mulheres em tecnologia.Organizações sem fins lucrativos, empresas e instituições de ensino têm lançado programas voltados para encorajar mais mulheres a ingressar e prosperar no campo tecnológico.

Apesar da grande demanda recebida pela entidade, com mulheres adultas que não sabem nem ligar um computador e outras que perderam chances de emprego por não saberem informática, os cursos tiveram uma grande evasão, de aproximadamente 50%, mesmo a organização oferecendo reposição de aulas e atraindo com palestras online e dinâmicas com os temas “Tecnologia é Coisa de Mulher: Inclusão, Oportunidades e Futuro" realizada por Débora Sirotheau, gerente do Departamento de Combate à Fraude Cibernética do Serpro, e "Inteligência Artificial não é só coisa de filme — é carreira, e é para todas nós", com Jéssica Costa Mendes, analista de Transformação Digital do Grupo Equatorial.Segundo a presidente do IMES – Casa das Marias, Cléa Paixão, é a primeira vez que isso acontece nos cursos oferecidos. Mas a explicação é que as mulheres adultas precisam cuidar de casa, marido, além de trabalhar na roça durante o período de chuvas, de abril a agosto. E parte da desistência foi de mulheres que conseguiram emprego. 

O importante é que as alunas que chegaram até o fim e receberam certificado aprenderam mais do que ligar e desligar um computador, sabem digitar textos e transformá-los em pdf, fazer planilha, apresentações em slides e a utilização da internet para pesquisa e e-mail, incluindo os princípios de segurança e organização de arquivos. Algumas até aprenderam a montar um computador” afirma o professor Luiz Pedro Ferreira da Silva. Alunas como Vera Lúcia da Silva, 35 anos, e Tatiane Maria dos Santos,32 anos, concordam com o professor e garantem que quem desejam continuar aprendendo sobre informática.

A primeira fase do projeto de inclusão na tecnologia contou com o patrocínio do Instituto Equatorial, mantido pelo Grupo Equatorial, além das parcerias da empresa federal Serpro, da Secretaria Municipal de Educação /Prefeitura de Taquarana e internet doada pela empresa local AJC Telecom. No entanto, para ter continuidade precisa de patrocinadores. “Queremos que as mulheres que fizeram o curso de informática iniciante possam avançar na aprendizagem tecnológica e oferecer a oportunidade para novas alunas, e quem sabe formar profissionais para desenvolver sistemas, websites e aplicativos para a web e dispositivos móveis. O objetivo é preparar as mulheres para o mercado de trabalho, ensinando programação, segurança da informação, cloud computing e outras ferramentas da área.” 

A Casa das Maria há quatro anos vem impactando positivamente o agreste alagoano, se destaca não apenas por seu compromisso com a igualdade de gênero e racial, redução das desigualdades, saúde, bem-estar, esporte e educação, mas também na por sua dedicação aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, alinhando-se perfeitamente com a estratégia de impacto social global."Nossa visão e missão é impulsionar a jornada de formação técnica e empregabilidade das mulheres, desde o despertar para seus direitos, o autocuidado, o empreendedorismo, a carreira até alcançar posições de liderança, em diversos segmentos. O objetivo final é criar um futuro onde a inclusão não seja um favor, mas sim um direito de todos, garantindo um ambiente mais justo e equitativo para as próximas gerações.” assegura Cléa Paixão, fundadora e presidente do IMES – Casa das Marias. 

Novas oportunidades - A instituição busca captação de recursos para realizar outros dois projetos, que segundo Cléa Paixão são a “alma” da Casa das Marias, o Música Mariar, projeto educacional, cultural e social que visa a formação em música – canto e instrumento – com formação de orquestra para meninas e adolescentes. E o Marias de Chuteira, que usará o futebol feminino como instrumento de transformação educacional e social para proporcionar a possibilidade de inserção das meninas no mercado esportivo, buscando ser um fator de mudança e trabalhando positivamente para o próximo passo do futebol feminino em Alagoas e no Brasil. O projeto Música Mariar já conta com o patrocínio do Banco do Nordeste. Os interessados em patrocinar ou apoiar os projetos podem buscar mais informações no site https://imescasadasmarias.org ou pelo telefone (82)99628-1304.