A partir deste sábado (20), até o dia 5 de agosto, os partidos políticos e federações de partidos podem realizar as convenções partidárias para definir quem serão suas candidatas e candidatos aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito nas Eleições 2024. Também é na convenção que os partidos aprovam se vão formar uma eventual coligação com outras agremiações. 

O CadaMinuto entrevistou a cientista política Luciana Santana, que falou sobre a expectativa para as convenções e o cenário nos municípios alagoanos.

Ela explica que, no estado, há uma estruturação de dois grupos políticos: um em torno do grupo do Renan Calheiros e o grupo de oposição, em que está o Arthur Lira, que é um grupo que incorpora o prefeito da capital. 

“A disputa em termos dos municípios do Estado se dá a partir dessas duas forças que vão disputar poder político, vão tentar se fortalecer e ampliar o capital político no âmbito municipal, tentando fazer o maior número de prefeitos e prefeitas, quanto de vereadores e vereadoras”, pontuou. 

Ela ressalta que, ao longo do pleito, será possível avaliar se o MDB de Renan Calheiros continua sendo a principal força política em Alagoas ou se vai reduzir durante as eleições. “Ou seja: o quanto o grupo de Arthur Lira é capaz de reverter e melhorar sua força política em termos de número de prefeituras e de aliados, também nos legislativos municipais”. 

Na capital, Luciana destaca que a situação é mais “confortável” em termos de grupo, onde o prefeito JHC vem com bastante força. “Deve ser reeleito em um cenário até, eu diria, mais tranquilo”. 

A cientista política pontua, também, que o cenário político nacional tende a influenciar menos a eleição municipal, em comparação com o pleito para o governo do Estado. 

“De qualquer forma, há partidos no entorno tanto de Lula quanto de Bolsonaro, tentando ampliar suas bases nos municípios. No caso de Alagoas, especialmente a capital, tende a ter uma manutenção da força política do PL, de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, comentou. 

Já no âmbito dos municípios, de forma mais geral, a tendência é que não haja tanto impacto. Há mais influência das forças políticas estaduais do que, efetivamente, das forças políticas nacionais.

Alianças e estratégias

Em relação às alianças políticas estaduais, Luciana reforça que elas podem afetar no sentido de ter divergências em termos das candidaturas que vão ser apresentadas nos municípios e dos aliados dos respectivos grupos, mas nada que afete no sentido de inviabilizar ou de prejudicar o andamento das eleições. 

“O que devemos ter é um jogo normal, no sentido de que os grupos políticos no âmbito municipal vão ter que entrar em concordância, um consenso com as lideranças estaduais para definição das candidaturas”, disse. “São os alinhamentos e realinhamentos políticos que fazem parte do jogo político e também do próprio contexto no qual as eleições ocorrem”.

Em Maceió, a especialista analisa que deve acontecer uma campanha bastante pontuada de um lado: “O atual prefeito deve tentar emplacar feitos da sua gestão, e do outro lado, a oposição liderada por Rafael Brito, deve ter uma campanha mais negativa, no sentido de apresentar as fragilidades do governo JHC e tentar, com isso, conquistar a voto do eleitorado”. 

“Mesmo sabendo que é uma provável reeleição JHC, pode ser que a campanha em si não seja tão tranquila, no sentido de que ele não vai ter conforto. Pelo contrário, ele vai ter que responder a todos os questionamentos que vão aparecer dos partidos das candidaturas de oposição”, explicou.

Novas formações políticas

Para Luciana, desde 2010, é possível observar um declínio de forças políticas tradicionais, como era o próprio PSDB e os antigos PSL e DEM, que depois foram incorporados ao União Brasil.

“Desde 2010, a gente vê um fortalecimento do MDB como principal força política dentro do Estado. Isso fez com que tivesse quatro mandatos consecutivos do governo do Estado. Vemos esse fortalecimento também do PP, como a segunda principal força política no Estado”, detalhou.