Com deficiência visual e cinco filhos autistas, mulher pede ajuda para manter renda complementar após ser proibida de fazer bolos caseiros em seu apartamento

04/12/2023 20:16 - Geral
Por Mara Santos
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Mãe solo de cinco crianças, quatro autistas e uma com TDAH, a jovem baiana Luana Rodrigues de Araújo, de 42 anos, que há 15 faz e vende bolos para complementar a renda familiar e pagar os tratamentos dos filhos, foi impedida de fabricar seus bolos caseiros no condomínio onde mora, no bairro do Pinheiro, em Maceió. Amigos criaram uma campanha para ajudá-la a conseguir um local onde possa cozinhar.

Na última quarta-feira (29 de novembro), a bacharel em Direito e confeiteira recebeu uma notificação via WhatsApp de que um morador do condomínio havia denunciado que ela estaria usando o apartamento onde mora como uma confeitaria, o que não é permitido pelo regimento interno do condomínio. A notificação não só advertia, mas informava que caso ela insistisse na fabricação dos bolos seria imediatamente multada e taxada com uma porcentagem em cima da taxa condominial.

“Eu recebi a notificação junto com um áudio do síndico, que é muito gente boa, se justificou, mas disse que foi decorrente da reclamação de um morador e que ele, como síndico, teria que acatar”, explicou Luana.

Luana conta que estava no carro, indo buscar os filhos na escola e na terapia quando recebeu o aviso de síndico e a ligação do administrador do condomínio, em seguida. “Me segurei porque estava com as crianças, mas ao chegar em casa desabei no choro”.

Luana disse que mudou para o condomínio em 2020, durante a pandemia, e que nunca nenhum vizinho ou condômino reclamou por ela fazer bolos caseiros para vender. Ela trabalha como assessora técnica no Tribunal de Justiça de Alagoas, há dois anos, tem deficiência visual e  fabrica os bolos em casa para complementar a renda e poder pagar o seu tratamento e os tratamentos dos cinco filhos.

“Comecei a fazer e vender bolos em 2008. Na época, para ajudar minha mãe que vendia trufa e o lucro que ela tinha era muito pouco. Eu estava cursando Direito, estagiando, grávida do primeiro filho. Então, decidimos que venderíamos os bolos e as trufas. Uma semana depois, minha mãe faleceu e decidi seguir vendendo os bolos sozinha. Isso me tirou da depressão e tem me ajudado desde lá a pagar meu tratamento, pois tenho problemas na retina. Fiz cirurgia, mas não resolveu e tenho a visão comprometida. Desde que tive meus filhos e me divorciei é a venda dos bolos que me ajuda a pagar as contas e o tratamento deles”, explica.

Foto: Arquivo Pessoal

Luana foi vítima de violência intrafamiliar e doméstica. Segundo ela, ser proibida de fabricar os seus bolos caseiros, na cozinha de sua casa, é mais um desafio imposto pela vida. Ela afirma que não usa seu apartamento como confeitaria, conforme a notificação aponta, mas que precisa vendê-los para conseguir pagar as contas e proporcionar os serviços de saúde necessários aos filhos, quatro meninos: de 14 anos (autista, tratando depressão), 11 anos (autista, TDAH e transtorno de ansiedade), 7 anos e 5 anos (ambos autistas); e uma menina de 8 anos (TDAH e dislexia).

“Hoje eu tenho 50% da visão do olho direito, não tenho visão do olho esquerdo, e ainda assim consigo cuidar dos meus filhos, fazer meus bolos e tocar a vida. Mas agora, diante dessa proibição não sei como farei. Não tem fundamento alegarem que eu tenho uma confeitaria, pois não tenho uma demanda tão grande e não tenho nenhum equipamento ou eletrodoméstico profissional. Tudo que quero é poder voltar a fazer meus bolos para conseguir pagar minhas contas e os tratamentos dos meus filhos”, acrescentou.

Ao ver Luana preocupada e sem perspectiva de voltar a fabricar os bolos em sua casa, uma amiga dela resolveu criar uma campanha para arrecadar recursos e ajudá-la a alugar um espaço e comparar os eletrodomésticos e objetos que ela precisa para continuar fabricando os bolos. Desta amiga, Luana ganhou uma mesa e uma vizinha do condomínio disse que vai doar um fogão.

“Já vi um lugar perto da minha casa e quero alugar para fabricar meus bolos lá. No entanto, preciso mesmo de ajuda para comprar uma estufa, um balcão, uma geladeira, entre outros objetos, para conseguir fabricar meus bolos e voltar a vendê-los como sempre fiz. As contas estão chegando, meus filhos precisam seguir com seus tratamentos e tudo que eu quero é só poder trabalhar para isso, sabe? Estou contando com a ajuda das pessoas, mas é difícil. Só um milagre!”, concluiu.

Luana fabrica bolo de pote, vulcão, gourmet, com chantinho, além de torta salgada e sanduiches. 

Quem quiser e puder ajudar Luana a montar sua cozinha e pagar o primeiro aluguel do local para ela fabricar seus bolos e manter a renda complementar, necessária e importante para sua família, pode doar qualquer valor por meio da chave PIX: 036.671.364.71.

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