Atualizada às 15h31
O Presidente do partido União Brasil em Alagoas, Luciano Cavalcante, repudiou uma fala atribuída à Renan Filho (MDB) sobre a deputada estadual Ângela Garrote. O pronunciamento veio após a divulgação de um vídeo que teria sido gravado através das redes sociais do prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar, durante carreata no município Estrela de Alagoas, na noite de sexta-feira (2).
Em vídeo que está sendo divulgado pela deputada, pode-se ouvir uma voz, atribuída à Renan Filho, dizendo "Júlio, eu vi agora que vamos comer a Ângela", o que seria uma referência ao prefeito de Palmeira e a parlamentar, que é ex-prefeita daquele município.

Para o presidente, “é estarrecedor e vergonhoso que um ex-governador do estado e candidato ao Senado se dirija a uma mulher de forma tão baixa como fez Renan Filho com a deputada Ângela Garrote".
"As mulheres merecem respeito, têm que ser tratadas com urbanidade e dignidade e sem qualquer forma de preconceito, independentemente do cargo que ocupam. Pessoalmente, e partidariamente, pautamos nossa conduta pela defesa da igualdade e de oportunidades para as mulheres, que já são infelizmente vítima de tanta opressão nesta sociedade machista em que vivemos", declarou.
Renan Filho diz que fala foi tirada de contexto
Em nota, o ex-governador, Renan Filho, afirmou que a ex-aliada, Angela Garrote, “tenta gerar factoide eleitoral com fala fora de contexto”. Ele afirma que teve suas palavras tiradas do contexto político propositalmente com a finalidade de atacar sua campanha.
O político destacou a migração repentina da parlamentar, que foi sua aliada de longa data, para outro grupo político como única explicação plausível. “Somente a sua mudança de lado repentina para usufruir do Orçamento Secreto de Arthur Lira pode explicar sua conduta”, publicou.
De acordo com Renan, o ataque tem sido uma regra de seus opositores, que, ao invés de mostrar trabalho e apresentar propostas para melhorar a vida do alagoano, baixam o nível da campanha com a criação de factóides, utilizando até palavrões e agressões à sua família. Prova disso são as decisões da Justiça Eleitoral para a retirada de programas inteiros do ar de campanhas adversárias.
O candidato ao Senado lembrou que, em sua gestão e em sua história, as mulheres sempre foram assistidas e respeitadas. Ele cita a implantação do primeiro programa da história de Alagoas voltado para mães e crianças, o Cria, que é o maior programa de transferência de renda estadual do país, e a construção do Hospital da Mulher, primeira unidade pública de saúde voltada exclusivamente para as alagoanas.
“Junto com a Renata, minha esposa, sempre cuidamos com todo carinho e respeito das mulheres. Juntos, criamos o programa da primeira infância, o Cria, que assiste mais de 130 mil mães e crianças de até seis anos em todo o Estado”, disse.
Renan Filho também pontuou que “as medidas jurídicas para evitar que as fake news, distorções e agressões confundam o eleitor e prejudiquem o bom debate democrático já estão sendo tomadas pelo partido e a Justiça já mostrou em suas decisões que não vai tolerar esse comportamento em Alagoas”.
Políticos se posicionam sobre caso
O candidato ao governo de Alagoas Rodrigo Cunha (União) pediu “de uma vez por todas, respeito total a todas as mulheres alagoanas, que estão sendo por reiteradas vezes vítimas de insultos, discriminações e preconceitos nesta campanha eleitoral”. Segundo Cunha, “a fala de Renan Filho também foi um ato machista e preconceituoso contra todas as mulheres de nosso estado”.
Enquanto o também candidato ao governo do Estado, Fernando Collor, declarou lamentar que divergências políticas norteiam ataques às mulheres. “Minha solidariedade à deputada Ângela Garrote após o ataque que sofreu com falas machistas e de baixo calão. Divergências políticas não são motivos para desencadear comportamentos com tons pejorativos e misóginos”, reagiu Collor.
