O Tribunal Superior Eleitoral (TRE) vem fazendo, a cada novo pleito, campanhas publicitárias com foco no verdadeiro sentido da democracia, que está na possibilidade do cidadão exercer a soberania popular através do voto. Reconhecido como uma das maiores democracias do mundo, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios no quesito representatividade. O voto consciente é o caminho escolhido por candidatos com perfil mais técnico e sem redutos eleitorais. "Até pouco tempo ainda havia restrição para alguns grupos exercerem o direito de se candidatar a um cargo eletivo e até mesmo de votar. Em pleno 2021, uma maioria ainda escolhe uma minoria para exercer um mandato", afirma Marcos Ramalho, candidato a deputado federal".

 

Ele se refere a grupos específicos como as mulheres, os pretos e pardos e a população de menor poder aquisitivo. "Quantas mulheres são eleitas ou quantos negros nos representam nos poderes Executivo e Legislativo?", indaga o deputado, que se apóia em pesquisas do IBGE e da própria Justiça Eleitoral que apontam a disparidade entre representantes e seus representados.

 

A eleição, segundo ele, é um dos raros momentos em que todos se igualam, pois não há diferença de raça, sexo, condição financeira, classe ou grupo social, já que existe igualdade de valor no voto dado por cada cidadão. "Essa liberdade e igualdade são fundamentais para o voto consciente. Para que isso aconteça, é preciso conhecer melhor o funcionamento do processo eleitoral brasileiro, entender o sistema por meio do qual os candidatos são eleitos e, mais ainda, escolher quem melhor o representa, sem qualquer influência externa, como o fator econômico ou o poder político", defende.

 

Com duas semanas completas de campanha oficial, Ramalho tem visitado diversos municípios alagoanos e percorrido a região metropolitana de Maceió, onde nasceu e iniciou sua carreira, primeiro como bombeiro militar e atualmente como médico. "Tenho conversado muito com as pessoas, anônimos que, como eu, buscam oportunidades de ascensão por meio de políticas públicas de inclusão, principalmente na formação educacional", salienta.

 

A identificação com a trajetória do candidato é imediata. "Fui uma criança preta, pobre e periférica como tantas outras que encontro ao longo da minha vida. Entendo a importância da minha representatividade junto a essas pessoas e penso que a tarefa democrática que me cabe nesse processo eleitoral é justamente essa. Ser a ponte que une os mais diversos setores em defesa da vida e dos direitos assegurados por uma geração inteira de batalhadores que nos antecedeu", esclarece.

 

Ele faz questão de lembrar que é fruto da escola pública, que alcançou as oportunidades através de concursos, programas como o PROUNI, que permitiu a conclusão do curso de Fisioterapia numa faculdade privada e do sistema de cotas, que fez dele médico, formado pela Uncisal. "Se no passado as universidades eram para poucos, hoje, novos rostos, cores e saberes  se espalham pelo Brasil. Nós que sempre éramos o outro, aquele que não tinha lugar de fala e precisava ser "traduzido" pelos brancos da classe alta, agora fazemos parte, cada vez mais, do contingente de trabalhadores, eleitores, cidadãs e cidadãos conscientes, que escolhem o que consumir, onde viver, em quem votar, em quem confiar", afirma.

 

Segundo ele, sua campanha aposta tudo no voto consciente, de quem pode formar uma opinião a partir do conhecimento sobre a vida dos candidatos e suas propostas. "Não há mais como nos ignorar, fazemos parte da sociedade brasileira e queremos eleger as pessoas que representam a maioria. Não queremos aparecer no noticiário ligados a manchetes sensacionalistas ou notícias tristes. Esse é o caminho para a real democracia, que almeja levar representatividade às múltiplas populações que formam Alagoas, que formam o Brasil. Conquistar visibilidade é o primeiro passo. É nisso que eu acredito, é por isso que sigo lutando", conclui Marcos Ramalho.