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Jó Pereira segue uma voz incômoda à ALE apesar da tentativa de escanteá-la

Lula Vilar|
Deputada Jó Pereira
Deputada Jó Pereira / Foto: Ascom ALE

As posições da deputada estadual Jó Pereira (PSDB), na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, sempre incomodaram alguns emedebistas desde a época em que ela era do MDB. Mesmo quando estava no “ninho emedebista” do ex-governador Renan Filho e do senador Renan Calheiros, Jó Pereira assumiu um discurso que tinha um peso de oposição.

 

Tanto é assim que, em passado não tão distante, o tio do ex-governador e deputado estadual Olavo Calheiros (MDB) – que pouco fala e/ou aparece no parlamento – chegou a rotular Jó Pereira de “oposição”. Agora, fora do MDB por motivos óbvios, Pereira soltou as amarras de vez. Evidentemente que há também as cores do momento eleitoral. 

 

Por mais que Jó Pereira tente negar isso em sua retórica (e ela consegue negar de forma bem argumentada), é óbvio que ela deu um passo à frente na artilharia por conta do grupo político do qual faz parte. Antes, mesmo crítica do MDB, não podia ser tudo que é hoje, pois seu grupo político tinha espaços no Palácio República dos Palmares. Não esqueçamos disso!

 

É algo inegável.

 

Afinal, agora, a deputada estadual é cotada para ser a vice da chapa majoritária liderada pelo senador e pré-candidato ao governo Rodrigo Cunha (União Brasil), tendo o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Arthur Lira (Progressistas). Ou seja: uma via de confronto direto com os Calheiros do MDB. 

 

Então: juntou a fome com a vontade de comer. Se antes Jó Pereira tinha fortes críticas ao governo, mas era obrigada a ser mais comedida em função das circunstâncias do passado, essas tais circunstâncias já não existem mais. Então, ela sai da condição de “pedra no sapato” para poder virar paralelepípedo nos calçados emedebistas. Claro, nada os Calheiros e os seus deixam sem troco...

 

Logo, em sua nova posição no xadrez político, Jó Pereira também virou alvo ao mesmo tempo em que atira. A confusão envolvendo o PSDB tem a intenção, por exemplo, de matar dois coelhos com uma cajadada: enfraquecer a oposição, minando o palanque de Cunha ao inviabilizar a candidatura de vice de Jó Pereira; e fazer com que a deputada estadual “pague” por esse “grave pecado” em terras calheiristas: ter sido voz dissonante. Não é de hoje que Jó Pereira teima em heresias contra São Calheiros. 

 

É que se o PSDB não fecha aliança com Cunha, Jó Pereira terá dificuldades até mesmo para ser candidata nas proporcionais (seja deputada federal ou a reeleição de estadual). O MDB tem todas as possibilidades de dificultar a vida da neo-tucana.

 

Entretanto, mesmo estando nos alvos dos emedebistas, ainda mais depois de ter ganho a antipatia do presidente da Casa de Tavares Bastos, Marcelo Victor (MDB), Jó Pereira não se rendeu no ringue e não perde uma chance de alfinetar os adversários. 

 

Em aparte ao deputado estadual emedebista Lobão, ao ser questionada sobre seu apoio ao senador Rodrigo Cunha, Jó Pereira rebateu: “Não é porque temos um governador-tampão com anseio eleitoral, que busca dar continuidade a um projeto de poder, confundindo Legislativo e Executivo, que vou deixar de fazer o meu papel de deputada estadual, o papel que sempre fiz e faço em defesa do povo alagoano”.

 

Em uma só sentença, ela conseguiu chamar Dantas de “tampão”, para desespero de Marcelo Victor, que detesta a expressão; colocar o Executivo como puxadinho da Assembleia Legislativa, por conta da base de apoio de Marcelo Victor que “fabricou” a candidatura de Dantas; e relembrar que ela sempre foi essa pedra incômoda mesmo. 

 

A “invertida” de Jó Pereira em seu discurso foi, inclusive, uma aula de retórica e argumentação para o candidato que ela mesma apoia: o senador Rodrigo Cunha: aquele das postagens “super-descoladas” das redes sociais que segue a receita do marketing... É que Rodrigo Cunha saiu do PSDB, mas o PSDB não saiu dele. Quanto a Jó Pereira, ela entrou no PSDB, mas não compreendeu ainda que é quase como se encontrar em um episódio de The Walking Dead, em que o último a sair tem a obrigação de apagar a luz...

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