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Em entrevista exclusiva, Collor defende diálogo e união com Lira para montar “palanque único”

Lula Vilar|

 Conversei, na manhã de hoje, com o senador e pré-candidato ao governo do Estado, Fernando Collor de Mello (PTB). A entrevista foi longa e passou por diversos pontos, desde as circunstâncias atuais que o levaram à pré-candidatura ao governo do Estado de Alagoas, passando pela relação entre o petebista e o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Arthur Lira (Progressistas), e as dúvidas que ainda persistem em relação ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), abraçar de fato a candidatura de Fernando Collor de Mello ou não, na disputa pelo Executivo.

Collor afirma categoricamente: é o candidato de Bolsonaro.

Nesta postagem publico a primeira parte da entrevista, em que trago os assuntos mais atuais. Amanhã, em outro texto, trarei outros pontos que julguei pertinente indagar ao senador Fernando Collor de Mello, como – por exemplo – o fato de no passado ele já ter sido um dos apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e até já ter brigado pelo apoio dos dois em uma disputa paroquial pelo governo estadual. Collor fala sobre o assunto abertamente e diz que não há “contradições” em sua trajetória. Porém, no dia de amanhã, publico o que ele falou sobre esses pontos. 

Agora, segue o que Collor diz a respeito da decisão de ser candidato e das alianças que pretende firmar.

 

O senhor estava em uma campanha firme para o Senado Federal. Inclusive, em muitos momentos quando indagado se seria candidato ao governo do Estado, rejeitou essa ideia. O que ocorreu para que o senhor mudasse de estratégia e agora, de forma surpreendente, se lançar para o Executivo de Alagoas?

 

Fundamentalmente, os apelos que recebi. Ao longo desse tempo, desses dois, três meses, eu recebi apelos constantes. De lideranças políticas, de pessoas do agronegócio, de pessoas da agricultura familiar, enfim, das mais diferentes camadas da população, pedindo a minha candidatura ao governo do Estado. Depois também veio a questão política do presidente Jair Bolsonaro (PL) não ter um palanque aqui em Alagoas. Então, eu voto em Bolsonaro, sou Bolsonaro e defendo o seu governo. Não seria possível chegar aqui em Alagoas o candidato a presidente da República e ele não tivesse um palanque. E o palanque, quem constrói, quem oferece, é sempre o candidato ao governo do Estado. Bom, diante desses apelos e por achar que com a minha experiência, com o meu conhecimento dos problemas do Estado e do país, pelo conhecimento que tenho em Brasília e por saber por quais caminhos eu devo percorrer para alcançar os objetivos de um governo de inovação, moderno, ousado, avançando, para que possamos ter uma visão social e um olhar de futuro, por isso tudo, eu decidi ser pré-candidato ao governo do Estado e oferecendo meu nome ao escrutínio popular. Vamos ver se tudo corre bem. 

 

Dentro desse cenário eleitoral, o senhor é um apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Mas o presidente tem dois grandes aliados políticos, com peso em Brasília, aqui no Estado. Um é o senhor, sem sombra de dúvidas, mas o outro é o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), que tem outro candidato ao governo do Estado que não é o Collor, mas sim o senador Rodrigo Cunha (União Brasil). Ou seja: outro palanque. Como tá o diálogo do senhor com o Arthur Lira? Existe a possibilidade de vocês unirem forças?

 

O diálogo é muito bom, muito bom. Muito aberto, muito franco. O diálogo contínuo. Nós estamos, afinal, dentro de um mesmo campo político. Não é possível que o Estado que tenha um deputado federal, que é presidente da Câmara dos Deputados, e um Estado que tenha um senador da República, ex-presidente da República, e que estejam no mesmo campo político, que eles não estejam entendidos para que o nosso candidato à presidência da República possa ter um único palanque, que é o palanque – naturalmente – daquele mais identificado com o presidente Bolsonaro, com aquele que defende o presidente Bolsonaro de muito tempo e não daquele que sequer cita o nome do presidente. Então, nós estamos conversando muito bem. As conversas vêm avançando e nós haveremos, lá na frente, de chegarmos a um entendimento para não haver nenhum tipo de prejuízo à candidatura do presidente Bolsonaro à reeleição.

 

Quando o senhor lançou à sua candidatura ao governo houve reações porque o nome do senhor tem capilaridade eleitoral e isso é inegável. Alguns veículos de imprensa até citaram que o senhor não teria efetivamente o apoio do presidente Jair Bolsonaro, pois o nome Collor nacionaliza o processo eleitoral de Alagoas e gera repercussões fora do Estado. Como foi a conversa com o presidente Bolsonaro para que o senhor lançasse então a sua candidatura?

 

Meu relacionamento com o presidente Bolsonaro é público, é notório. É um relacionamento estupendo, extraordinariamente positivo. Sempre recebi dele incentivos para que eu tomasse uma posição com vistas a essa construção de um único palanque. Naturalmente, ele (Bolsonaro), tem o presidente da Câmara (Arthur Lira), que sem dúvida tem uma força política muito grande, em função da posição que ocupa, com quem tem um tratamento para que não colidam os nossos interesses e com isso haja prejuízo para a sua candidatura. O que tenho recebido são incentivos e não foi por outro motivo que demorei aí dois meses para me definir como candidato. Se eu sou candidato hoje ao governo do Estado é porque eu tenho apoio do Bolsonaro. Não iria me lançar nesta seara se eu não tivesse essa segurança, essa garantia. Eu só tenho a agradecer a ele e naturalmente entender que ele também tem que andar devagar porque tem pressa. Há esse ditado. Do mesmo modo nós. Política no Estado de Alagoas que é pró-Bolsonaro tem de continuar caminhando devagar porque temos pressa. Vamos acertando os pequenos detalhes até chegarmos ao momento, ao consenso, para que estejamos todos unidos em um palanque em que o presidente se sinta bem, para que o presidente possa olhar para um lado para o outro e saber que se encontra entre amigos, em quem pode confiar. Temos que evitar um palanque que não haja apoio para o presidente.

 

O senhor fala da composição do palanque, mas o senhor já tem o candidato o Senado Federal deste palanque pró-Bolsonaro? Já há o vice?

 

Em relação a vice: naturalmente há vários nomes sendo cogitados. Mas isso vai depender de um amplo entendimento. Não somente nesse caso específico nosso, mas normalmente, o vice é uma escolha que se dá perto das convenções. Normalmente é assim. Alguns se lançam já com a chapa completa e cria confusões como estamos assistindo nas hostes de um candidato. Então, o vice será escolhido com base em um amplo entendimento das forças que estão conosco. Será o nome de consenso, não será enfiado goela abaixo. Quanto ao pré-candidato ao Senado: eu entendo que nós devemos, o grupo político que está apoiando Bolsonaro, ter um candidato ao Senado. Nós já temos o candidato da situação que já é conhecido, que já teve seu nome lançado. Nós temos que ter na oposição, e nosso campo é de oposição aqui em Alagoas, também um único candidato. Não podemos dividir as nossas forças. Isso é uma coisa lógica. Eu defendo um único candidato ao Senado. Para isso as conversas estão avançando e acredito que todos nós estejamos de acordo com essa ideia, com essa sugestão, de que possamos nos sentar à mesa para podermos decidir qual será esse que será o único candidato do nosso campo político ao Senado da República.

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