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O erro de Jó Pereira: não ter pego um partido para chamar de seu...

Lula Vilar|
Deputada Jó Pereira
Deputada Jó Pereira / Foto: Igor Pereira/Ascom ALE

O grande erro da deputada estadual Jó Pereira (PSDB), dentro de um xadrez político que não perdoa por ser o processo eleitoral uma máquina de moer pessoas, foi não ter ocupado o mais lógico dos espaços nesse tabuleiro: ter um partido político para chamar de seu e, desta forma, negociar as alianças a partir do seu próprio tamanho conquistado, que é o de uma liderança que se destacou na atuação dentro da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

 

Não era necessário esperar a “janela partidária” para isso. Afinal, há meios – na política brasileira – de ocupar um partido sem se encontrar nele e depois agarrá-lo quando a legislação permite. Negar essa realidade é hipocrisia. O aliado mais importante de Jó Pereira, o deputado federal Arthur Lira (Progressistas), tinha caminhos de sobra para isso. 

 

Mas, Jó Pereira – acreditando sabe-se lá em que ou em quem – preferiu deixar o tempo correr e saiu do MDB para o PSDB, nos minutos finais da janela partidária, sem ocupar posição de comando na legenda, coisa que no “ninho tucano” jamais teria. 

 

Deixou o flanco aberto em uma guerra cuja regra é clara: não há clareza em regra alguma. Afinal, na política alagoana, só não leva rasteira quem renuncia às pernas.

 

Jó Pereira se destacou na Assembleia Legislativa sendo um incômodo ao ex-governador Renan Filho e ao MDB, por conta de críticas substanciais, como as que fez sobre o desvio de finalidade do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep). Era quase uma oposição aos Calheiros dentro do MDB. Ora, o calheirismo não faz sombra aos aliados, quiçá aos divergentes que se criam em ninho emedebista. 

 

Era óbvio que se Jó Pereira não tivesse uma legenda para comandar estaria sujeita – ao sair do MDB para tentar voos maiores – a ser “tratorada” pelo calheirismo. Ainda mais quando, seu principal aliado, o deputado federal Arthur Lira (Progressistas), já sabia – antecipadamente – do potencial da deputada estadual para uma composição majoritária. Deixar Pereira refém dos destinos dos tucanos foi um erro brutal.

 

Agora, a parlamentar pode pagar caro por esse erro, caso a situação de agora não seja revertida. Jó Pereira, que se construiu por méritos próprios dentro do parlamento estadual, ganhou destaque em pautas relevantes, apareceu como possibilidade de disputa pelo Executivo estadual, foi tida como a “vice dos sonhos”, se observa em uma encruzilhada que a leva ao silêncio, pois é refém de uma briga onde muito pouco depende dela. 

 

Com a possível aliança entre o PSDB e o MDB, Jó Pereira perde todas as condições para ser a vice de Rodrigo Cunha. Porém, não se trata apenas disso. A parlamentar, que tem mais potencial do que todos os demais atuais tucanos juntos, se vê presa em um partido que perdeu muito nos últimos anos, pois se há algo em que tucanos foram especialistas foi em se tornarem os coveiros de si mesmos. 

 

Se morrer de vez a possibilidade de Pereira ser vice de Rodrigo Cunha e os tucanos migrarem para o MDB, Jó Pereira será jogada no “Coliseu calheirista” que lhe oferecerá, entre leões, as possibilidades de ser candidata a deputada estadual ou a deputada federal entre os “poca urna”. Jó Pereira será tudo aquilo que poderia ter sido no lugar onde não pode sê-lo. 

 

Mesmo diante das imensas divergências que tenho com o esquerdismo fleumático, quimérico e quase pueril de Jó Pereira, como quando ela abraça toda baboseira da lacração, não posso jamais deixar de afirmar o que sempre afirmei: Pereira é sólida em pautas importantíssimas para Alagoas, tem convicções claras, busca a coerência, tem capacidade de diálogo, estuda os temas mais sérios que abraça e se mostrou capaz de disputar uma majoritária por conta própria.

 

Em outras palavras, como diz o compositor gaúcho Humberto Gessinger, na canção Dom Quixote, Jó Pereira corre o risco de ser um “puro sangue puxando carroça”.

 

Às vezes é de se imaginar que quem aconselhou Jó Pereira a ir para o PSDB é vermelho, tem chifre e rabo, ou seja aquele sujeito que tem presença muito comum em todos os grupos políticos... Se Jó Pereira é vítima, em muitos aspectos, foi vítima também das decisões políticas tomadas junto com seus aliados.

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