Blog do Vilar
Blog do Vilar

Rodrigo Cunha diz que “não faz sentido” junção de Pedro Vilela com Renan Calheiros. Como se alianças políticas em AL precisassem de sentido...

Lula Vilar|
Jó Pereira se filiou ao PSDB e pode ser a vice de Rodrigo Cunha
Jó Pereira se filiou ao PSDB e pode ser a vice de Rodrigo Cunha / Foto: Assessoria

Em entrevista às jornalistas Thayse Cavalcante e Liara Nogueira, na Rádio Nova Brasil, o senador e pré-candidato ao governo do Estado de Alagoas, Rodrigo Cunha (União Brasil), disse que não faria sentido uma junção política do deputado federal Pedro Vilela (PSDB) com o senador Renan Calheiros e o ex-governador Renan Filho, ambos do MDB.

 

A fala de Rodrigo Cunha é uma resposta ao que vem sendo ventilado nos bastidores políticos: a possibilidade do PSDB se unir ao MDB nas eleições vindouras, seja para Pedro Vilela ser o suplente de Renan Filho, na disputa pelo Senado Federal, ou Vilela ser o vice do governador-tampão Paulo Dantas, em sua tentativa de reeleição (agora por via direta). 

 

O PSDB – diga-se de passagem – é o partido no qual se encontra a deputada estadual Jó Pereira, que é a cotada para ser vice de Cunha. Inclusive, Pereira foi para o “ninho tucano” em um acordo político com Rodrigo Cunha e o próprio PSDB. O senador saiu do tucanato para o União Brasil para se firmar como candidato ao Executivo com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Arthur Lira (Progressistas). Em troca, Jó Pereira foi para o PSDB. 

 

Caso o que é dito em bastidor se comprove, Jó Pereira leva aquela rasteira tão comum na política alagoana, semelhante a que Arthur Lira deu no presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (MDB), quando tomou deste o União Brasil e o entregou a Rodrigo Cunha.

 

Mas, esse não é o único entrave a ser enfrentado por Cunha e seu bloco político para manter a vice. Nacionalmente, o PSDB se encontra federalizado com o Cidadania. Em Alagoas, o Cidadania quer ter candidato ao governo estadual, lançando o jornalista e ex-deputado federal Régis Cavalcante. 

 

Caso se consolide a candidatura de Cavalcante ao governo, Jó Pereira não pode ser vice de Cunha. Caso Pedro Vilela realmente feche acordo com o MDB, aí nem Jó Pereira e nem Régis Cavalcante podem figurar em majoritária. 

 

Rodrigo Cunha diz, na entrevista, que não faria sentido uma união entre o PSDB e o MDB porque, na gestão do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), o MDB estava na oposição, em que pese no início do primeiro mandato os emedebistas serem aliados do tucano. Além disso, Teotonio Vilela Filho e o senador Renan Calheiros sempre mantiveram uma relação dúbia por já terem sido siameses aliados em um passado não tão distante.

 

O senador do União Brasil lembra ainda que o ex-governador Renan Filho, ao se eleger para o cargo de chefe do Executivo, fez duras críticas a gestão anterior de Teotônio Vilela, classificando-a como uma “gestão maldita” e por aí vai...

 

Bem, os argumentos de Rodrigo Cunha podem até guardar uma certa lógica e terem algum sentido, mas desde quando na política alagoana as alianças circunstanciais prezam por coerência e sentido? 

 

Assim fosse, o próprio Cunha não teria agora o apoio de Arthur Lira, uma vez que quando se elegeu senador da República ele (Rodrigo Cunha) se afastava do ex-senador Benedito de Lira (Progressistas) e de Arthur Lira como o diabo se afastava da cruz para poder manter o rótulo de o “diferentão da nova política”.  

 

Ainda falando de “coerência”, por exemplo, o pré-candidato a deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça, que se encontra no União Brasil, era – até bem pouco tempo atrás – o secretário de Segurança Pública do governo de Renan Filho e foi candidato à Prefeitura de Maceió com o apoio do ex-governador Renan Filho e do ex-prefeito da capital alagoana, Rui Palmeira (PSD). Hoje, Gaspar de Mendonça é nome do bloco político de Arthur Lira. 

 

Quem for esmiuçar a história de cada eleição comparando com eleições passadas, em Alagoas, o que mais vai encontrar é uma enxurrada de contradições e de circunstâncias que tornam os adversários de ontem os aliados de hoje. O vice-prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa (PDT) que o diga. Lessa já foi aliado de Renan Calheiros e de Rui Palmeira na época em que ambos eram adversários. 

 

A lista de exemplos é longa... Mais uma, menos uma incoerência, eis que não surpreenderia.

 

Ora, Pedro Vilela tem uma eleição de deputado federal difícil pela frente. Se as conversas de bastidores são reais, eis que é a tentação que lhe bate à porta. Uma oferta de posição mais confortável que só lhe cobra algo comum na política alagoana: a incoerência. Desta forma, a única pessoa que poderá dizer se há sentido ou não no que vem sendo ventilado é o próprio Pedro Vilela. Mas, o tucano tem preferido – pelo visto – o silêncio. 

 

Só Pedro Vilela pode desmistificar o que ocorre nos bastidores do tucanato... Procurei saber de Vilela, via assessoria, qual a sua resposta a tudo isso. Estou no aguardo…

 

Até pode ser tudo conversa fiada de bastidores, mas por qual Pedro Vilela não diz de uma vez por todas que é tudo “conversa fiada de bastidores”?

SOBRE O AUTOR

Blogueiro do Cada Minuto

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Todos os direitos reservados