Publicidade enganosa: cigarro eletrônico veste nova roupa, mas é mais prejudicial à saúde do que cigarro tradicional

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Um dos eletrônicos mais utilizados pelos jovens nos dias de hoje, logo após os smartphones, o Vape (cigarro eletrônico), foi lançado e ganhou público nos últimos anos, com uma imagem e ilusão de ser um cigarro não prejudicial à saúde, como foi feito com o cigarro tradicional, onde era associado ao sucesso, riqueza e bem-estar. Um dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares ou agravamentos delas, é o tabagismo.  

Os Vapes como “cigarros evoluídos”, apenas fumaçam para mascarar os problemas consequentes da nicotina presente nas essências vendidas separadamente. Mesmo não expondo o usuário ao monóxido de carbono liberado na hora da combustão, pois, o aquecimento é feito por bateria recarregável, o cigarro eletrônico promove a dependência de nicotina, podendo ser ainda mais rápido que o tradicional. Onde, uma vez inalada, a substância proveniente do aquecimento, estimula a liberação de dopamina, que é responsável pela sensação de prazer, bem-estar e relaxamento. Inclusive, algumas essências possuem o “sal de nicotina”, que produz dependência mais rápida que o cigarro convencional. A nicotina liberada é tão forte, que pode causar até o endurecimento das artérias, forçando o coração a trabalhar mais.

Além de que, o aquecimento do cigarro eletrônico libera mais nicotina do que os cigarros convencionais, que dentro do organismo, podem disparar mais crises de asma, lesões nas paredes internas das artérias, podendo causar até o infarto do miocárdio, o ataque cardíaco. Manter este mal hábito eleva o risco de ter de ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), insuficiência cardíaca e dentre outras complicações. Desse modo, para evitar um possível infarto em algum momento da vida, é fundamental evitar essas condutas.  

O Pneumologista do Hospital do Coração de Alagoas, Dr. Aldo Agra, alerta que além da nicotina, outras substâncias estão presentes no cigarro eletrônico conhecidos causadoras de câncer.

“O cigarro eletrônico é um grande engano para a população.  Além de conter nicotina, que é uma substância com ação no sistema nervoso central e capaz de causar dependência e, além disso, já foi demonstrado seus efeitos nocivos no sistema cardiovascular e reprodutor. Também estão presentes a substância formaldeído, que não tem quantidade segura para o seu consumo; substâncias ligadas a toxicidade cardiorrespiratória como a Acroleína. Ainda se conhece muito pouco sobre o uso a longo prazo do cigarro eletrônico, mas as pesquisas em andamento mostram seu potencial como causador de doenças a longo prazo, incluindo novas doenças, como é o caso da EVALI (E-cigarette or Vaping product use-Associated Lung Injury), uma doença causada pelo uso de cigarro eletrônico que teve uma epidemia em 2019 levando centenas de jovens a UTI.” relata o pneumogista, Dr. Aldo Agra.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta e os fumantes têm cerca de 20 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão. O Pneumolista, Aldo Agra, cita uma pesquisa realizada pela COVITEL, onde mostra que é alto o consumo de cigarro eletrônico entre jovens.

“Uma preocupação quando se fala em cigarro eletrônico é o alto consumo em pacientes jovens. Dados de 2022, do estudo brasileiro COVITEL, mostram que 19,7% dos jovens de 18 a 24 anos já haviam experimentado o cigarro eletrônico.  Se mostram mais alarmantes os dados americanos da Pesquisa Nacional sobre Tabaco para Jovens de 2021, que mostrou 2,8% dos alunos do ensino fundamental e 11,3% dos alunos do ensino médico faziam uso do cigarro eletrônico. Outra informação importante nesta população é que grande parte dos usuários de cigarro eletrônico nunca fumou, portanto para os que defendem que é o cigarro eletrônico é uma estratégia menos lesiva para os que já fumam, ele tem funcionado, na prática, como uma forma de aumentar o número de usuários de produtos do tabaco, principalmente através de jovens e de quem nunca fumou.” acrescentou o pneumologista, Dr. Aldo Agra.

Recentemente, um relatório preliminar da Anvisa analisou o impacto regulatório que a liberação dos dispositivos eletrônicos para fumar traria para a sociedade. O estudo aponta que a legalização da venda será um “tiro no pé”, com amplos riscos para a saúde pública e desenvolvimento dos usuários, onde, muitos adolescentes que, mesmo com as restrições impostas pela legislação, conseguem comprar os dispositivos facilmente pela internet, o que pode explicar por que 70% dos usuários no país têm entre 15 e 24 anos. O cérebro dos adolescentes está em desenvolvimento e a exposição à nicotina é capaz de mudar a maneira como o órgão funciona, causando aumento da impulsividade e transtornos de humor, entre outros.

Parar de fumar não é substituir um produto por outro, como alguns usuários do eletrônico afirmam.

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