O secretário da Segurança Pública de Alagoas, delegado Flávio Saraiva, e o delegado- geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, apresentaram na manhã desta quarta-feira (18), informações sobre o fechamento do primeiro relatório da operação Loki, que investiga fraudes em concursos públicos de Alagoas.

Ao todo, 77 pessoas foram indiciadas, 61 candidatos com pedido de afastamento do concurso e mais de 180 dispositivos analisados.

Conforme o secretário, há indícios de fraudes em outros sete concursos públicos, sendo mais um em Alagoas. 

Foto: Cortesia

Dos afastamentos da Polícia Civil foram 20 candidatos; PM (soldado), 37; PM (oficial), 10 candidatos; Corpo de Bombeiros (soldado), seis candidatos.

De acordo com o delegado José Carlos, professores, intermediadores e pessoas que participaram do concurso estão envolvidos no esquema. Ao todo, 17 pessoas foram presas em Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

De acordo com o delegado- geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier, o líder da organização criminosa é da Paraíba e foi preso. Ele era um ex-policial militar de Alagoas.

O delegado Lucimério Campos afirmou que a operação tem que ter efeito repressivo em relação aos que foram beneficiados. “O nosso objetivo é impedir que isso ocorra novamente”.

Lucimério também destacou que os próximos concursos, como o de perito e delegado, serão fiscalizados em cada unidade. 

A polícia também explicou que em regra, o valor inicial era de R$ 5.000,00 para cargo de escolaridade com exigência de ensino médio e R$ 10.000,00 para cargo de nível superior. Além da entrada, havia um novo pagamento após a posse no valor da margem do consignado. Houve cobranças de R$ 100 mil reais.

Modus operandi

O piloto entrava inscrevia-se somente com o objetivo de, logo no início da aplicação, levar a prova escondida no corpo até o banheiro, onde enviava imagens para o ambiente externo; 

Professores recebiam as questões e respondiam, informando apenas as alternativas corretas e transcrevendo o início das questões (no caso de provas diferentes. As demais questões deveriam ser marcadas como questões “erradas”;

Candidatos ingressavam em locais de prova com dispositivos capazes de receber SMS e chamadas (relógios, cartões-celulares, etc) e ponto eletrônico no ouvido;

Candidatos prendiam o dispositivo no corpo e o mais próximo possível do ouvido para facilitar a conexão bluetooth;

Eram repassadas questões objetivas e discursivas;

Havia guias responsáveis grupo de candidatos (indivíduo que ligava para cada candidato).

A operação LOKI, que foi realizada em 21 de outubro de 2021, pela Polícia Civil de Alagoas, contou com o apoio das Polícias Civis de Pernambuco, Sergipe e Paraíba, no cumprimento de mandados de Busca, Apreensão e Prisão em 26 cidades.

*Estagiária sob a supervisão