Ricardo Mota
Ricardo Mota

O primeiro dia de Paulo Dantas como governador de Alagoas

Ricardo Mota|
Palácio Republica dos Palmares
Palácio Republica dos Palmares / Derek Gustavo/G1

Conta um conhecido personagem político que circula com grande habilidade entre os grupos mais distintos do poder local, que no seu primeiro dia de governo, já na primeira hora em que chegou ao Palácio República dos Palmares, Paulo Dantas ouviu de um dos seus novos acompanhantes permanentes (pelo menos até o final do ano):

- Bom dia, governador. Se o senhor espirar mais tarde, já lhe adianto: “Saúde!”

Eu sei que o leitor (a leitora) é suficientemente sábio (a) para dispensar qualquer explicação sobre a blague, mas peço permissão para contar uma breve historinha.

A ela: em setembro de 1978, o então deputado estadual Geraldo Melo foi eleito, pelos seus pares, governador-tampão. 

O governador Suruagy renunciou para se candidatar a deputado federal e o seu vice, Antônio Gomes de Barros, havia falecido.

Homem de poucas palavras – nunca foi um grande orador –, Geraldo Melo se viu cercado, já no primeiro dia de Palácio, por uma gente agradável e que só lhe dedicava palavras generosas. 

Esta alegre convivência durou até março do ano seguinte, quando tomou posse o novo governador escolhido pela ditadura: Guilherme Palmeira.

Eis o final da história: no dia seguinte à sua despedida do cargo, Geraldo Melo se deparou com a verdade dos homens. A mesa vazia, já no café da manhã, lhe trouxe uma tristeza que lhe caiu com um manto a lhe privar do calor e da luz do sol.

Deparou-se, ali, com uma velha e definitiva sentença: o poder tem muitos amigos; os poderosos não têm nenhum.

Simples assim.

SOBRE O AUTOR

Jornalista, escritor e músico.

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