Sempre me incomodou o fato de que alguns livros de história tratam Hitler como um louco que dominou o povo alemão.
Nada disso.
O genocida representou o sentimento represado de boa parte do povo alemão, ressentido com a crescente crise e com a humilhação da derrota na 1ª grande guerra. Paulatinamente, conseguiu contaminar a maioria da população do país (em 1939, Hitler teria o apoio de 90% dos alemães, apontam alguns livros), e as consequências todos sabemos.
Alguns degraus abaixo da suposta insanidade de Hitler, ouço por aqui muita gente - no debate político ou na imprensa - tratar Bolsonaro como se louco fosse.
E não é o caso, mesmo.
Os loucos são inimputáveis, por não terem códigos morais racionais a seguir. O presidente brasileiro tem, sim, discernimento sobre o certo e o errado. Chego a duvidar, algumas vezes, se ele acredita no que diz sobre os tantos temas. Claro, não desconheço a sua ignorância e a preguiça de aplacá-la - ele não é do batente.
Mas vejo mais esperteza do que qualquer outra coisa em tantas das suas persistentes e algo maníacas declarações.
Bolsonaro, assim me parece, é uma pessoa com um grau de perversidade assustador, principalmente para quem é governante de uma população que ultrapassa 200 milhões de pessoas.
Fato é que, está explícito, para ele, só existem 20% desse contingente acima mencionado. É muita gente que há de ter algo em comum com ele. Eu apostaria que eles dividem a mesma“preguiça de pensar", assinalada por Schopenhauer. Num dos seus mais importantes ensaios, o filósofo polonês/alemão afirmou que para essas pessoas "é mais fácil morrer do que pensar”. Então, acreditar em mentiras dá menos trabalho.
E, de fato, muita gente tem morrido por falta de racionalidade e de alguma generosidade humana. “Todo mundo vai morrer”, disse Bolsonaro para a sua gente. Então, por que não dar uma mãozinha e apressar o desfecho?.
Acho que o presidente gargalha ao espalhar as suas “descobertas científicas” aos incautos preferidos. Mas se houvesse loucura, não seria um mal individual.