Esta semana me deparei, na minha caminhada matinal, com algumas graciosas lixeiras que a prefeitura de Maceió espalhou pela longa calçada do corredor do Murilópolis. 

Um mimo para a cidade e para quem passa por ali, diariamente.

Sempre me agradaram muito as pequenas iniciativas do poder público que valorizam os espaços disponíveis para a população.

Sandoval Caju, a quem a ditadura militar cassou sem qualquer acusação formal (em 1964), foi um prefeito que valorizou como nenhum outro os espaços públicos.

Tive a oportunidade de fazer uma longa reportagem televisiva com ele – dez minutos -, no final da década de 1980, visitando as praças e parques que ele construiu na cidade.

Foi pungente, emocionante, ver como as pessoas manifestaram carinho por ele, que me acompanhou durante todo o trabalho, mesmo depois de tanto tempo de silêncio e ausência. Humanizar a cidade era o seu lema, já então. Um vanguardista, mesmo que não o soubesse.

Mais recentemente, Fernando Haddad, então prefeito de São Paulo, assumiu o papel arriscado de tentar fazer a grande metrópole brasileira andar mais devagar e até parar. Construiu ciclovias e decidiu fechar a Avenida Paulista aos domingos. Foram muitos os protestos, mas hoje é impensável reverter decisões tão preciosas.

São iniciativas que custam barato – assim como as lixeiras do Murilópolis -, e talvez por isso não provoquem tanto interesse dos governantes e a atenção da população. Mas valorizam e amenizam a aspereza dos ambientes urbanos.

Confesso que não guardo grande esperança de que as lixeiras, de cipó e madeira, permaneçam onde estão e como estão por muito tempo (ausência de pertencimento?). Insistir, no entanto, é obrigação do prefeito e da sua equipe.

O povo não confia nos governantes nem lhes guarda qualquer afeto, mas talvez – quem sabe? – eles possam ser lembrados pelos moradores de Maceió, do mesmo jeito que aconteceu com Sandoval Caju.

Um mimo só não basta, mas como pode fazer a diferença numa “selva de pedra”.