Deixo claro que vejo, sim, significativas diferenças entre os eleitores de centro e de direita, mesmo a civilizada.

São estes os votantes que alimentam ainda, a essa altura, a esperança de que surja uma “terceira via”, uma candidatura viável à presidência da República para disputar com Lula e com Bolsonaro.

Contrariando a linguagem desses tempos, não vejo esses eleitores como “canalhas” ou abomináveis, ainda que considere apenas uma ilusão esse desejo no atual cenário.

Com exceção de uma improvável hecatombe, Lula vai bater de frente com Bolsonaro. O presidente se esfarinha, eleitoralmente, mas preserva 20% do eleitorado, por mais que isso seja surpreendente.

Ciro Gomes, mais à esquerda, e Moro, caminhando para a extrema-direita (há outros no seu campo), não parecem dispor de tempo e de carisma para virar esse jogo.

Carisma, cada um ao seu modo, têm Lula e Bolsonaro – o que não é uma comparação, apenas constatação.

O petista, um animal político na essência, conseguiu dobrar sua tropa mais estreita, mostrando que a presença de Alckmin – ou alguém como seu perfil – pode abrandar a resistência de uma parcela da elite brasileira, que se mantém às vezes por aporofobia, outras tantas, por ideologia.

Não há, até agora, no campo de Lula – centro-esquerda ou esquerda – nenhum partido que anuncie candidatura independente, para disputar com o ex-presidente.

Bolsonaro é um fenômeno de massa que já conhecemos, no mundo todo, há muito tempo. Seus eleitores são, acima de tudo e acima de todos, seus fãs, algo que vai além do que possa ser racional.

Cada um vota em quem quiser – nestes ou em outros candidatos -, mas não há tempo para ilusões que apenas ilusões são.