Tratar adversário (a) político como inimigo (a) é típico de donos de redutos a que Tancredo Neves chamava de “burgos podres” - numa referência aos poderosos, não à população.
Impressionante é que a essa altura, alguns desses redutos ainda pratiquem grosserias e falta de urbanidade só para deixar claro quem é o dono do pedaço.
É o que parece ter ocorrido agora em Marechal Deodoro, com a rejeição de um título de cidadã honorária da cidade à deputada estadual Fátima Canuto, proposto e derrubado pela Câmara de Vereadores local.
Uma demonstração de força de quem se sabe fraco.
Há um embate político conhecido entre os dois municípios, envolvendo a parlamentar, o filho dela, prefeito Renato Filho, e o prefeito de Marechal, Carlos Alberto Ayres Costa, o Cacau (do cacau).
A deputada é apoiada pela oposição deodorense, tudo dentro do jogo democrático. Só que o irmão do prefeito, secretário Alexandre Ayres, será candidato a deputado estadual no próximo ano – na lógica do chefe político local, um candidato de fora não poderia levar os votos que seriam dos nativos. (Ayres não participou da articulação, comentam vereadores de Marechal).
Uma bobagem, uma infantilidade mais velha do que Matusalém.
O outro lado do embate: o prefeito Cacau conserva e alimenta uma sentida rivalidade com Renato Filho, em decorrência do desempenho do pilarense, o que parece tê-lo levado a empurrar sua tropa para uma trincheira que é dele.
O ato, na verdade, revela mais sobre a alma de quem o praticou do que sobre o alvo atingido.
E cá pra nós: tem jovem que não consegue esconder o anacronismo nos costumes e nas ideias.