AL tem aumento no número de infectados por HIV e médicos alertam para agravamento de pacientes

Maria Luiza Lúcio* e Rebecca Moura*|
Aids
Aids / Imagem ilustrativa/Internet

Os casos de AIDS em Alagoas tiveram uma redução de 37% esse ano, em relação ao mesmo período de 2020. Já o número de casos de HIV apresentou um aumento de 19%, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau). Especialistas contaram ao Cada Minuto que estão identificando a chegada de pacientes mais graves às internações.

De janeiro a novembro, 198 pessoas foram diagnosticadas com Aids, enquanto em 2020, foram 317 casos. Em 2020 foram 519 casos de HIV em Alagoas, enquanto em 2021, foram 618 casos.

No mesmo período, o Hospital Escola Dr. Helvio Auto registrou 317 novos casos de HIV/AIDS, já em 2021, no mesmo período o número de novos casos foi de 303, englobando adultos, crianças, transmissões verticais (em que a mãe transmite para o bebê) e gestantes.

Os profissionais do hospital destacam a possibilidade de que até o fim de dezembro o número de novos casos de HIV/AIDS ultrapasse o do ano passado.

 

Agravamento durante a pandemia

Ao Cada Minuto, o médico infectologista, Fernando Maia, explica que os casos se agravaram após o pico da pandemia de Covid-19, uma vez que muitas pessoas não procuraram os serviços básicos de saúde devido ao isolamento social.

“A gente tem visto, infelizmente, os casos chegarem mais graves aos serviços de saúde, foram pacientes que não fizeram o diagnóstico ano passado e esse ano por causa da pandemia. As pessoas ficaram com retardo no diagnóstico não só da Aids, mas de outras doenças também, temos observado isso de maneira geral", explica o infectologista.

Já a infectologista Mardjane Lemos afirma que assim como a procura por serviços de assistência à saúde para atendimento não urgentes, a busca por testagem para HIV foi reduzida drasticamente durante a pandemia. “Com isto, os casos estão sendo diagnosticados em estágio mais tardio, muitos dos quais, com necessidade de internação hospitalar”.

“Embora não tenhamos reduzindo atendimentos, muitos usuários interromperam o tratamento por dificuldade de transporte para vir buscar suas medicações, ou por medo de contrair covid ao vir buscar atendimento”, declara.

Segundo a especialista, quanto mais precoce o diagnóstico da infecção pelo HIV ocorrer, menor será o impacto na vida e na saúde do portador.

De acordo com a coordenadora do Ambulatório de Doenças Infectocontagiosas do Hospital Helvio Auto, Lygia Antas, os diagnósticos de HIV e Aids sofreram interferência devido à redução da procura para realizar os testes de detecção.

Neste ano, a procura do serviço de Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP) teve um aumento de 20% na procura em relação ao ano anterior, de acordo com a assessoria de Comunicação do Hospital Escola Dr. Helvio Auto.

A PEP é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções. Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio e ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição e no máximo em até 72 horas.

Para alertar a população, o hospital irá oferecer testes abertos à população para detectar o vírus HIV, além de ações educativas e orientações pré e pós-testes.

 

Como participar da testagem?

Para realizar os testes, o cidadão deve trazer um documento de identificação, cartão do SUS e comprovante de residência. A equipe do HEHA fará as orientações pré e pós-testes e efetuar o procedimento. Os resultados dos testes rápidos saem em torno de 30 minutos.

Após a testagem, o cidadão será encaminhado para sala de espera para acolhimento e aconselhamento individual com a equipe de Psicologia. Aos que forem diagnosticados, a primeira consulta médica já é realizada em seguida.

Atualmente, mais de 2.700 pacientes provenientes de todo o Estado de Alagoas com HIV/AIDS são acompanhados ambulatorialmente pelo Serviço de Assistência Especializada (SAE) do Hospital Helvio Auto.

 

Tratamento e diagnóstico

Para ele, é necessário a implantação de mais campanhas de diagnóstico para reforçar medidas de prevenção contra o HIV/AIDS e facilitar o acesso ao serviço de saúde com o objetivo de fazer os diagnósticos necessários e realizar o tratamento dos pacientes.

Em relação ao diagnóstico da doença, o infectologista reforça a importância de realizar a testagem o mais rápido possível para iniciar o tratamento. Ele explica que com o tratamento correto é possível controlar a doença de modo que o infectado vai ter uma expectativa de vida igual a de qualquer pessoa.

“A medicação consegue controlar a doença corretamente, mas para isso é necessário realizar o diagnóstico o mais rápido possível”, alerta.

Sobre o tratamento dos infectados no Hospital Escola Dr. Helvio Auto durante o pico da pandemia, Fernando Maia afirma que não houve prejuízo porque a medicação continuou a ser distribuída normalmente. Ele explica que por causa da pandemia, durante um período não foi exigido a receita médica, bastava que o paciente já fosse cadastrado e já estivesse em uso a medicação.

Lygia Antas explica que o diagnóstico precoce, logo após o contato com o vírus do HIV, é importante para que o tratamento seja iniciado, antes da evolução da infecção, que pode evoluir para a doença da Aids. “Hoje o paciente apenas com diagnóstico do vírus HIV já inicia o tratamento”.

Com relação à prevenção à Aids, Lygia orienta que para evitar a contaminação pelo vírus não se deve compartilhar objetos perfuro cortantes e é necessário usar preservativos em todas as relações sexuais. Já para as pessoas contaminadas pelo HIV, a forma de prevenir o avanço da doença é aderir ao tratamento com antirretrovirais.

Atualmente, dentre os tratamentos disponíveis no hospital, está o uso dos antirretrovirais, que são comprimidos de uso diário e domiciliar. Segundo a especialista, mesmo com a pandemia, o serviço de atendimento e distribuição desses medicamentos se manteve.

 

Prevenção

A médica Mardjane Lemos explica Sobre a prevenção e ressalta a importância dos preservativos, tanto masculino como o feminino, a profilaxia pré exposição (PREP), a profilaxia pós exposição (PEP),  a realização de testes para HIV na gestante, em seus parceiros e na mulher em fase de amamentação.

Ela também destaca o início do tratamento precoce contra o vírus, que impede a progressão da infecção para a doença  (Aids), além de impedir a transmissão do HIV para parceiros sexuais.

"Existem várias combinações diferentes de medicações, que são indicadas individualmente. A mais usada atualmente são dois comprimidos, uma vez ao dia”, conclui.

*Estagiárias sob supervisão da editoria

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