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Nonô: “Se o Marcelo Victor quiser, ele vai ser o presidente do União Brasil”

Lula Vilar|
Thomaz Nonô
Thomaz Nonô / Reprodução

Com críticas sutis ao governador Renan Filho (MDB), o senador Renan Calheiros (MDB), o deputado federal Arthur Lira (Progressistas) e outros, além das ironias que já são peculiar em suas falas, o presidente estadual do Democratas, José Thomaz Nonô, avaliou – em entrevista ao jornalista Flávio Gomes de Barros – a fusão entre a sigla que comanda e o PSL, além dos desdobramentos da criação do União Brasil (fruto desse amalgama) em Alagoas e o cenário eleitoral vindouro.

Nonô confirmou o que já era sabido nos bastidores: o comando da nova legenda deve ficar nas mãos do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, o deputado estadual Marcelo Victor (Solidariedade). Só não será assim se Marcelo Victor não quiser, mas ele quer.

De acordo com Nonô, essa decisão “não é de agora”, mas fruto de conversas de anos com Marcelo Victor, quando o Democratas – ainda sem a perspectiva de fusão – havia aberto as portas para o parlamentar.

Segundo Nonô, a vinda de Marcelo Victor para o Democratas só não se consolidou anteriormente por conta das questões envolvendo a “fidelidade partidária”.

“Ninguém pensava nessa história de fusão, mas já havia muita conversa. No plano pessoal, temos uma responsabilidade com o partido. Eu fundei o PFL, que mudou para Democratas contra a minha opinião. E aqui em Alagoas, já discutíamos uma formação de um novo polo de poder. Aqui estava tudo cristalizado. Era Renan pai (senador Renan Calheiros (MDB)), Renan Filho (governador do MDB). Era Arthur Lira (deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados pelo Progressistas), que simboliza o Centrão. O JHC (João Henrique Caldas (PSB)) é prefeito. É Caldas pai (ex-deputado federal João Caldas) e Caldas Filho (o próprio JHC), outro departamento”, diz Nonô, avaliando o nome de Marcelo Victor como a possibilidade de um novo grupo.

 

Uma reflexão

Bem, é inegável que o nome de Marcelo Victor é associado a componentes fisiológicos da política e transita, como é visível, na possibilidade de alianças em todos os blocos sutilmente criticados por Nonô, quando o presidente do Democratas os avalia como “cristalizados” nos polos que disputam o poder em Alagoas.

Porém, Nonô lembra que Marcelo Victor, ao conseguiu transformar um parlamento em um bloco com aliados sólidos, “surrou o governador Renan Filho por duas vezes” na disputa pela presidência da Casa de Tavares Bastos, obtendo 26 dos 27 votos possíveis.

É que no passado, Renan Filho quis fazer o tio – o deputado estadual Olavo Calheiros (MDB) – presidente do parlamento estadual e não conseguiu. Por outro lado, no cenário de agora, a escolha, pelo próprio Marcelo Victor, do deputado estadual Paulo Dantas (MDB) para ser o governador tampão, caso Renan Filho se candidate ao Senado Federal, não deixa de ser uma possibilidade de aproximação com o chefe do Executivo estadual.

Marcelo Victor – evidentemente – não é figura pertencente aos blocos “cristalizados” (utilizando o termo de Nonô), mas transita de forma fácil porque é orientado por algo próprio da fisiologia política: o cálculo eleitoral, o elemento necessário para eleger bancadas, ainda mais diante da atual legislação eleitoral. Tanto é assim que, diferente do perfil de Nonô, uma coisa que Marcelo Victor evita ter é opiniões de forma pública.

O silêncio sepulcral de Marcelo Victor não compromete suas futuras alianças com contradições passadas que exigem dos políticos justificativas para os atos do presente. Afinal, qual sua linha de pensamento político?

Foi assim que agora, conduzindo a maioria dos deputados estaduais, Marcelo Victor se credencia – no xadrez político – para indicar um possível nome na disputa pelo governo. Tanto é que Arthur Lira, em entrevista recente, falou de um acordo existente com o presidente da Assembleia Legislativa.

Lira disse que se o governador for candidato Senado, ele indicaria o nome a disputar o governo estadual. Caso o governador não seja candidato ao Senado, aí Marcelo Victor indica quem disputará o Executivo.

As falas que circulam por aí mostra que Marcelo Victor tem aproximação com os “cristalizados”. Todavia, Nonô está correto em afirmar que o presidente da Assembleia Legislativa tem uma personalidade própria que é capaz de construir seu próprio grupo, mas não por se diferenciar em demasia dos Renans ou de Arthur Lira.

E nada disso afasta a possibilidade de aproximação com o governador.


 

De volta às falas de Nonô

Quanto a vinda de Marcelo Victor para o União Brasil, Nonô destaca que o presidente da Casa de Tavares Bastos comandará o partido, no processo eleitoral, caso assim deseje. “Se ele quiser ser presidente será o maior prazer. Não quero conduzir o partido no ano de eleição porque entendi e vivi isso. Quem tem que conduzir o partido é o candidato. Ele entende o apetite necessário. O União Brasil vai crescer muito”, pontuou.

Nonô destaca que o União Brasil deve receber vereadores, incluindo da capital, e deputados estaduais. Ele cita o nome de Bruno Toledo, que deve deixar o PROS para ingressar na nova agremiação. Toledo é um dos principais aliados de Marcelo Victor.

Sobre a majoritária, José Thomaz Nonô ressalta que o partido vai tentar viabilizar candidato ao governo. “Marcelo Victor tem condições de indicar e fazer o governador tampão (no caso de candidatura de Renan Filho ao Senado Federal). Não temos culpa da briga dos Calheiros com o Luciano Barbosa (ex-vice governador e atual prefeito de Arapiraca). Comenta-se o nome do deputado Paulo Dantas, há outros nomes também. O cenário da eleição mesmo vai depender, evidentemente, da performance do governador transitório nesse mandato, da coesão da Assembleia, vai depender de variáveis. Mas teremos um partido organizado e forte e não vejo nos outros partidos muita preocupação com as chapas proporcionais. Eu tenho muitas”.

Na avaliação de Nonô, a organização partidária para as disputas proporcionais será vital nesse processo eleitoral em função das mudanças da regra do jogo que obriga os partidos a atingirem o cociente eleitoral sozinhos. “A partir do momento que mudou a legislação, nós precisamos ter gente. O Democratas não tem deputado federal e temos um estadual. Se isso se repetisse nessa eleição, e Davi Maia (deputado do Democratas) ficasse isolado, ele ia sair do partido e eu não poderia reclamar de nada. Para fazer um estadual é preciso ter 60 mil votos, e federal são 180 mil, com o partido sozinho, sem coligar com ninguém. Tem muita gente com muito voto que não vai conseguir se eleger”.

Ainda ao avaliar a vinda de Marcelo Victor, na visão de Nonô trata-se de alguém que conseguiu tirar a Assembleia Legislativa das “manchetes menos nobres do noticiário, tem domínio sobre seus pares e surrou (como já dito) o governador por duas vezes”.


 

Renan Filho

Ao comentar sobre a possível candidatura de Renan Filho ao Senado Federal, Nonô disse que tem apenas um palpite: “Eu acho que ele deixa o governo. O governador é um homem hábil. Na hora que você diz não sou candidato no exercício do cargo, há um fenômeno chamado esvaziamento do Palácio, seja lá qual Palácio for. Já vi esse filme na Prefeitura de Maceió (quando Nonô foi secretário municipal de Saúde) e já vi esse filme no governo do Estado (quando foi vice-governador). Então, o governador como homem inteligente que é vai manter esse suspense até a última hora do último dia. Aí ele anuncia que para o bem do povo, a vista do magnífico governo etc e tal, ele é candidato ao Senado. Pronto. Aí se descobre o óbvio”.

Nonô diz que Renan Filho é candidato porque “não tem vocação suicida”. “Quando o governo acabar, primeiro porque ele não faz sucessor porque ele não tem nenhum candidato denso no MDB, como não teve para a Prefeitura de Maceió, ele vai sair do governo, tem articulação, fala bem, ele entende de tudo, absolutamente de tudo com profundidade, com a possibilidade de ser candidato. Se não ele faz o que? Vai (no futuro) disputar com o pai (senador Renan Calheiros) daqui a quatro anos. Eu tenho certeza. Se ele não sair candidato é uma surpresa brutal para mim. Ele é candidato com justa pretensão. Vai trombar com Collor e vamos ver no que vai dar”, coloca.

Diferente de Nonô, eu não sei se o governador sabe absolutamente de tudo. Porém, desconfio que o governador acredite piamente que acha que sabe. Agora, que Renan Filho é habilidoso, se comunica muito bem, é inteligente e tem méritos em sua gestão, isso é verdade.

 

Em tempo: parabenizo o jornalista Flávio Gomes de Barros pela excelente entrevista. As perguntas foram certeiras, pertinentes e diretas ao personagem de extrema relevância diante dos fatos abordados. Jornalismo de qualidade. Excelente programa!

Nonô falou sobre o cenário nacional. Escreverei sobre isso em outro post.

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