“Serviços médicos e psicológicos disponibilizados pela PM não são suficientes’, diz presidente da UPM

Rebecca Moura|
Polícia Militar de Alagoas
Polícia Militar de Alagoas / Foto: Divulgação

Na noite da última segunda-feira (11), o 3º Sargento Alessandro Oleszko, foi baleado na perna por colegas da Polícia Militar e morreu. As primeiras informações dão conta de que Oleszko estava tendo um surto psicótico e que os colegas teriam tentado conter esse surto, mas ele teria avançado nos militares.

Esse caso acendeu um alerta sobre a saúde mental dos militares. O Tenente Maximum, presidente da União dos Policiais e Bombeiros Militares de Alagoas (UPM/AL) é o entrevistado do Cada Minuto deste sábado (16). Segundo ele, os serviços médicos e psicológicos disponibilizados pela Polícia Militar (PM) não são suficientes para atender a demanda de militares que precisam de acompanhamento. 

 Confira a entrevista abaixo:

Os serviços médicos e psicológicos disponibilizados pela Polícia Militar hoje são suficientes? Quantos profissionais têm ao todo?

Hoje não é suficiente, temos apenas um hospital "sucateado" e um Centro de Assistência Social sem recursos e profissionais para desenvolver o seu trabalho. Com relação a quantidade de profissionais não saberia o número exato de médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, mas é fato que ao longo dos tempos estamos perdendo os médicos qualificados que estão indo para reserva e não houve a devida reposição destes profissionais.

Como você avalia a preocupação da Polícia Militar com a saúde mental dos policiais?

 A Polícia Militar preocupa-se com sua tropa, mas a falta de profissionais, recursos, investimentos e estrutura tem atrapalhado o desenvolvimento das atividades.

Vemos alguns casos relacionados a surtos de policiais. Como é a realidade dentro da cooperação quando se fala nessa demanda?

 A realidade é bem dura, não se tratando apenas de problemas psicológicos, como também alcoolismo e depressão. Por não termos estrutura adequada e profissionais capacitados suficientes, o atendimento é feito às duras penas, com isto o policial e a sociedade correm riscos.

Na sua opinião, o que melhoraria essa situação dos militares? O que falta para eles?

O que falta é uma política de governo que disponibilize o devido atendimento do seu policial, não só PM ou BM, como também PC e Policial Penal, que também passam pelos mesmos problemas. Não temos uma política de governo de saúde, por exemplo a construção de um hospital da Segurança Pública.

Dentro da corporação, quantos militares buscam ajuda psicológica? E como buscar essa ajuda?

É uma pergunta difícil, pois aceitar que tem um problema psicológico, depressivo ou com alcoolismo não é fácil, mas muitos procuram e o Cmt de OPM encaminham para o Centro de Assistência Social, que tem feito o seu máximo, mas como o tratamento não tem continuidade o policial termina permanecendo doente. A continuidade não acontece por falta de vontade do policial e da falta de estrutura para atender a todos.

 Se a PM está assim, que tem uma pequena estrutura, imagine a Polícia Civil e os Policiais Penais que não possuem nenhum apoio ou estrutura de saúde, a não ser das Associações ou sindicatos.

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