Médicos defendem vacinação e alertam: “as máscaras vieram para ficar”

Gabriela Borba*|
Vacina
Vacina / Foto: Reprodução / Internet

Por conta do avanço da vacinação em todo o Brasil, além da diminuição de casos e óbitos pelo novo coronavírus, alguns estados já estudam a possibilidade de retirar a obrigatoriedade do uso de máscara. A medida já foi tomada em outros países, como os Estados Unidos, Israel, França e Itália. Entretanto, especialistas alagoanos afirmam que esta realidade ainda não é possível no estado.  

O oncologista André Luiz Guimarães contou ao CadaMinuto que o correto seria manter o uso das máscaras, mesmo com as taxas de contágio em queda, pois é uma maneira eficiente que alguns países do Oriente já utilizam para se proteger, já que existem inúmeros vírus e bactérias transmissíveis pelo ar. 

"Acho que será um novo paradigma a ser incorporado em nossas  vidas, e o ser humano terá que se adaptar aos novos tempos, novas ameaças à vida. O uso de máscaras é fundamental", disse. 

O médico ressalta o caso de países que já flexibilizaram o uso de máscara, como Israel, onde os casos e óbitos começaram a subir desenfreadamente. 

Ele concluiu afirmando que, baseado na avaliação dos infectologistas, o vírus não irá embora tão cedo e como o mundo hoje é uma aldeia global, o vírus somente irá sair de circulação quando a população inteira estiver vacinada. André Luiz ainda faz uma observação para os alagoanos: "Usar máscaras, distanciamento social, e vacinas são os três pilares para acabar a pandemia do coronavírus". 

Medidas essenciais

O especialista em infectologia, Renê Oliveira informou que, do ponto de vista técnico, os países que tentaram abolir a medida não conseguiram manter a baixa na transmissão da Covid-19, nem das novas variantes  que surgiram. Isso se dá, principalmente, porque um grande número de pessoas ainda não tomaram a primeira dose da vacina e são aptas para adquirir e transmitir o vírus. 

"São essas pessoas que vão formar um tipo de reservatório do vírus. As máscaras, o distanciamento social, uso de álcool em gel, esses cuidados básicos que já estão bem determinados são necessários e funcionam forem abolidos, a disseminação do vírus vai aumentar, sem necessidade!" 

Renê ainda expressa que as atuais medidas de distanciamento social aplicadas já permitem que as pessoas possam ficar ao ar livre, ir à praia, a um parque, desde que tomem os cuidados necessários, usando máscaras, quando assim for permitido. "Liberar o não uso da máscara agora, para passar para a população a ideia de que tudo voltou ao normal,  ainda não é possível, na minha opinião e na de muitos especialistas também", disse. 

Por enquanto, não há como prever qual o momento em que não será mais essencial o uso de máscaras, mas com o avanço da vacinação em Alagoas existe uma diminuição significativa no número de casos e mortes pela doença. Se faz necessário imunizar mais pessoas, inclusive crianças, quando for permitido. "Tudo tem ligação com a vacina, quanto maior a cobertura menor é o risco de uma volta do quadro de casos e mortes", conclui o especialista. 

Passaporte da vacina

Sobre a possível implementação do "Passaporte da Vacina", que permite a entrada em eventos para aqueles que comprovarem ter o ciclo vacinal completo, Renê Oliveira defende que é uma forma de valorização de quem realizou a imunização. Ele reforça que é um direito de cada um optar ou não pela vacinação, mas para viver em comunidade é necessário seguir as regras colocadas para todos. 

"Se a sociedade achar conveniente colocar o passaporte, é uma coisa para lutar, porque coloca na cabeça de quem ainda não tomou a vacina que ela é algo muito importante. Ninguém é obrigado a tomar, agora, para entrar em um evento público: não tomou vacina? Não apareça”, disparou o infectologista. 

Renê ainda explica que a vacina tem a conotação de ser uma proteção individual, mas ela é, principalmente, uma proteção coletiva. "É muito egoísmo de quem acha que não deve se vacinar, se você é egoísta o suficiente para pensar dessa forma, não saia de casa", acrescentou.

O doutor André Luiz Guimarães chama a atenção para que a população não negligencie as medidas por estar com o ciclo vacinal completo, pois ainda há o risco de contágio pela doença, apesar de ser menor e mais brando. Além disso, é importante seguir com o calendário de imunização e tomar as doses de reforço quando chegar a sua vez. 

Festas de fim ano 

Em relação às celebrações de final de ano, algumas já confirmadas pela Prefeitura de Maceió e instituições privadas, Renê considera que existe, sim, o risco de aumentar a transmissão da Covid-19, mas que, no momento, a contaminação pelo vírus está estável em Alagoas.  Ele lembra que o nível de infecção aumenta quando se tem pessoas aptas a transmitir e receber o vírus, que são, principalmente, os não vacinados. 

"Está comprovado que os vacinados pegam a doença, sim, mas desenvolver a doença é uma coisa e transmitir é outra, porque a carga viral de quem toma vacina é muito menor".

Ele conclui que, por conta do avanço da vacinação, essas festas não terão o mesmo impacto negativo que houve em 2020, pois agora existem as vacinas. "Se não tivéssemos as vacinas, a coisa iria desandar com certeza", conclui. 

*Estagiária sob supervisão da editoria

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