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Tácio Melo: Rui foi para o PSD, mas Podemos pode não liberar vereadores

Lula Vilar|
Rui Palmeira e Tácio Melo
Rui Palmeira e Tácio Melo / Foto: Secom Maceió

A ida do ex-prefeito de Maceió, Rui Palmeira (ex-Podemos) para o PSD ainda repercute nos bastidores políticos. Inicialmente, se falou de um “confronto” entre Palmeira e o deputado federal Marx Beltrão (PSD) pelo comando da sigla em Alagoas.

Beltrão, diante da confirmação da chegada do ex-prefeito de Maceió no PSD, fez questão de postar, em suas redes sociais, uma foto ao lado de Rui Palmeira e disse que era para afastar as fofocas.

Ou seja: passou a imagem de que ambos estão unidos em um projeto. Possivelmente, duas candidaturas à Câmara dos Deputados.

Há quem ainda aposte na possibilidade, ainda que remota, de Rui Palmeira disputar uma majoritária. No caso, o governo de Alagoas.

Agora, é inegável que a saída de Rui Palmeira do Podemos traz uma série de questionamentos sobre o futuro da legenda no Estado. Afinal, a aposta da Executiva Nacional em Palmeira era para ampliar a bancada federal em Brasília.

A identidade construída de Rui Palmeira com o Podemos não vem de agora. Ao sair do PSDB, o ex-prefeito passou um tempo sem partido, mas o Podemos ficou sob o comando de alguém de sua confiança: o ex-secretário municipal, Tácio Melo.

Dentro dessa estrutura, o grupo político de Rui Palmeira utilizou o Podemos para eleger três vereadores por Maceió: Joãozinho, Eduardo Canuto e Kelmann Vieira.

Atualmente, Vieira se encontra afastado do mandato por ter assumido o cargo de secretário de Prevenção à Violência no governo estadual de Renan Filho (MDB). No lugar de Kelmann Vieira, assumiu o suplente Alan Balbino (Podemos).

Como esses vereadores são ligados politicamente a Rui Palmeira, surge a indagação natural: eles acompanharão o prefeito para o PSD ou terão outro destino?

Conversei com Tácio Melo sobre o assunto.

Melo disse que terá uma reunião com a Executiva Nacional do Podemos. Ele afirma que a saída de Rui Palmeira do PSD não significa entregar o Podemos para outro grupo político. Em outras palavras, o ex-secretário frisa que o ex-prefeito saiu da legenda, mas não os demais filiados de destaque.

“Eu estou à disposição da (deputada federal) Renata Abreu (comandante nacional do Podemos). Eu tenho uma gratidão muito grande com ela. O Rui preferiu tomar o rumo dele, junto com o Marx aí no PSD, com o (Gilberto) Kassab (líder nacional do PSD), mas eu estou à disposição para ajudar o partido (Podemos). A não ser que o Podemos vá para um grupo muito incompatível em Alagoas, eu fico no Podemos por enquanto. Mas nenhuma decisão será tomada sem conversar com ela (Renata Abreu)”, diz Tácio Melo.

Melo ainda disse que com sua permanência no partido, os vereadores por Maceió, que se encontram no Podemos, não serão liberados da legenda: “Não haverá liberação de vereadores”. Ou seja: aqueles edis que quiserem disputar eleições em 2022 podem não conseguir acompanhar Rui Palmeira no PSD, sendo obrigados a permanecer na sigla pela qual se elegeram, uma vez que – diferente de deputados estaduais e federais – não há “janela” para mudança de agremiação, no caso dos vereadores.

Será isso mesmo?

É válido ressaltar que, conforme informações de bastidores, a decisão de Rui Palmeira de deixar o Podemos incomodou o comando nacional da legenda. O Podemos trabalha pela eleição do maior número possível de deputados federais pelo país.

Em Alagoas, as apostas eram em uma chapa que conseguisse levar o ex-prefeito de Maceió à Câmara dos Deputados.

Como Tácio Melo é muito ligado a Rui Palmeira, a decisão de permanência de Melo deve ter a anuência do ex-prefeito, evidentemente. Logo, caso ela permaneça dentro da estrutura, Palmeira praticamente passa a ter influência sobre dois partidos. Em outras palavras, é criada a seguinte situação: Rui pode ter saído do Podemos, mas o Podemos pode ter saída das mãos de Rui.

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