O DEM e o PSL foram os primeiros partidos que fecharam uma fusão para as eleições de 2022 e anunciaram o novo partido ‘União Brasil’. Para a cientista política, Luciana Santana essa fusão pode ter sido a primeira de algumas tendo em vista a conjuntura política para as próximas eleições.  

Mas o que para alguns pode parecer apenas a junção de dois partidos, a cientista afirma que essa medida integra a uma estratégia de poder dos partidos, que com fusão terá a maior bancada do Poder Legislativo em Brasília e com isso maior poder negociação. Leia a entrevista:  

 

Alguns partidos políticos estão se articulando para o próximo, principalmente planejando fusões entre as siglas. Como avalia essas possíveis fusões nas eleições de 2022?  

As fusões elas já aconteceram em outros momentos. Nós já tivemos outros episódios, essas condições, no meu ponto de vista, têm a ver muito com as próprias estratégias eleitorais para poder. Porque os partidos políticos e as lideranças buscam atingir um objetivo primário da eleição, que eles têm de serem eleitos, querem estar em algum cargo eletivo, ou seja, que está dentro da estrutura de poder.  Vejo isso de forma bastante tranquila são estratégias eleitorais visando obter ganhos políticos, ou seja, querem ativamente adotar estratégias para que passam ter mais cadeiras no legislativo, que possam ter mais influência no âmbito, até inclusive participar de forma mais competitiva da disputa presidencial. Então avalio isso de forma muito normal. É uma decisão estratégica que vem sendo tomada por alguns partidos especialmente pela conjuntura política e a falta de espaço para novas vias.  

 

O DEM já vem dialogando para se fundir com o PSL. Essa junção pode ter um partido com maior representativa em Brasília?  

Consequentemente o que vamos ter nesse novo partido é uma maior bancada dentro do Legislativo, também momentos de representação do partido nos municípios e mais do que isso podemos ter uma concentração muito grande de recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral neste partido.  

 

Qual é o impacto ter essa concentração de recursos maior?  

O Partido ganha e se fortalece, tornando um partido estrategicamente atrativo para coligações para as disputas no ano seguinte, nas disputas estaduais. Então provavelmente teremos palanques fortes com a presença desse partido, além da sua grande influência no cenário em relação ao Legislativo, já que com a fusão eles passam ter a maior bancada, e uma bancada muito estratégica que a depender da posição pode tomar decisões que façam a diferença, principalmente no resultado do que pode ser votado para o Executivo e com isso o partido acaba tendo uma influência considerável nas decisões legislativas e na relação com o Executivo.  

 

Essa estratégia, significa a sobrevivência de partidos menores em 2022?  

Em relação ao a fusão do Democratas e do PSL, não vejo que seja uma sobrevivência de partidos porque se tem dois partidos que eu diria que são relevantes dentro do cenário político. O PSL é a segunda maior bancada hoje do legislativo da Câmara dos Deputados e Democratas é um partido que vem crescendo, tendo várias prefeituras estratégicas em lideranças que tem se despontado aí nacionalmente. Por isso, não vejo que seja o caso dessa tentativa de fusão, mas os dois partidos as estratégias que para esse caso específico são estratégias eleitorais manutenção de poder.  

 

Isso pode enfraquecer alguma sigla?

Então não vejo que uma fusão enfraqueça outra sigla não. Eu acho que são situações muito diferentes, até porque você já vai ter na eleição de 2022 o impacto do fim da coligação, então ela por si só tem como objetivo tentar reduzir o número de partidos dentro da arena Legislativa, seja pelo menos para reduzir a fragmentação parlamentar. Por isso não consigo ver que isso possa prejudicar outras siglas, pelo contrário acho que são questões independentes, são questões de estratégias eleitorais. Provavelmente não será a única fusão que estará acontecendo, considerando essas novas regras que vão além da eleição de 2022.