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Nos bastidores, já há quem aposte que Marcelo Victor pode unir Arthur Lira e Renan Filho. Não é tão simples...

Lula Vilar|
Arthur Lira e Marcelo Victor
Arthur Lira e Marcelo Victor / Assessoria

Há, nos bastidores políticos, algumas lideranças partidárias que apostam em um grande acordo para as eleições de 2022.

É fácil? Bem, são muitas as dificuldades. Estas se iniciam pela própria conciliação de interesses individuais e das circunstâncias que permitam a melhor posição para disputar o poder.

Então, em alguns casos, a aposta de uma ampla união que coloque todas as forças políticas de um lado só pode ser muito mais uma “torcida” do que necessariamente uma “realidade”. Porém, como em política quase tudo é possível, não há porta fechada.

O xadrez a ser jogado coloca, segundo alguns políticos, a possibilidade do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, Marcelo Victor (Solidariedade), assumir como governador “tampão”, diante da possível renúncia do chefe do Executivo estadual, Renan Filho (MDB), para concorrer ao Senado Federal.

Nesse sentido, Marcelo Victor – na cadeira de governador – se lançaria à reeleição para assumir o cargo definitivamente por eleição direta. Na chapa, o MDB indicaria o candidato ao Senado Federal, que seria o próprio Renan Filho.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), seria contemplado com a indicação do vice da chapa. Nomes não faltam para isso. Há inclusive o da deputada estadual Jó Pereira (MDB).

Pereira sairia, evidentemente, do ninho emedebista e iria para o Progressistas.

Dentro do grupo político “dos Pereira” (que consegue transitar de Arthur Lira a Renan Filho com extrema facilidade), a deputada estadual é vista como uma “coringa” para as composições, podendo ser vice, candidata ao Senado Federal ou até mesmo ao governo estadual.

Todavia, a parlamentar discute seu futuro político com o grupo, mas – conforme bastidores – se depender apenas dela, seu desejo é disputar uma das cadeiras da Câmara dos Deputados.

A conciliação de todos esses interesses dentro de uma única chapa não é fácil. Até porque há outros caciques políticos negociando seus futuros também. O senador Rodrigo Cunha (PSDB), por exemplo, tenta fortalecer o ninho tucano para viabilizar a sua candidatura ao governo do Estado de Alagoas. Ele conta com a aliança firmada com o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), e com alguma aproximação com o Progressistas de Arthur Lira.

Nesse jogo, Lira também tem seus interesses próprios: a reeleição à Câmara dos Deputados com condições de também se reeleger presidente daquela Casa. Eis aí a razão de sua aproximação estratégia com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que – por motivos óbvios – não quer nem ouvir fala nos Renans, seja o filho-governador ou o pai-senador, Renan Calheiros (MDB).

O senador Fernando Collor de Mello (PROS) também busca o seu espaço para tentar a reeleição. Na recente visita de Bolsonaro ao Estado, na cidade de Teotônio Vilela, o presidente tratou Collor como o “meu senador”. Collor de Mello tenta se aproximar de Arthur Lira em busca da sobrevivência.

Dos políticos que comentam esse xadrez nos bastidores, há um que – conforme publicação no blog do jornalista Edivaldo Júnior – destacou a possibilidade publicamente: o deputado estadual Francisco Tenório. Na entrevista ao jornalista, ele demonstra acreditar em um acordo firmado entre Renan Filho e Arthur Lira que teria Marcelo Victor como peça central.

Se a análise de cenário que Francisco Tenório faz é mais fruto de sua torcida e desejos ou da realidade posta, aí é com a história…

Afinal, tal acordo também coloca um questionamento natural: Arthur Lira e Renan Filho estiveram, nos últimos anos, em campos totalmente opostos na política alagoana. Todavia, também é de se lembrar que divergências, em Alagoas, é mera briga pelo poder, pois os caciques que se opõem em nosso Estado não o fazem por um projeto de governo ou questões ideológicas e de valores, mas por circunstâncias.

São sempre políticos camaleônicos, capazes de mudanças radicais em função das reconstruções de discursos e biografias que permitam as condições necessárias de permanecerem no poder. Em outras palavras: pura fisiologia.

Exemplos disso são muito fáceis de elencar.

O “antibolsonarismo” do senador Renan Calheiros é, em grande medida, fruto de ter amargurado o “baixo clero” no início do governo Bolsonaro, ao não conseguir ser presidente do Senado Federal. Restou a Renan Calheiros o ato de refazer sua biografia apostando em arregimentar a oposição e o sentimento de rejeição ao presidente em torno de si. Em outras palavras: cálculo político.

Afinal, Renan Calheiros começou a ganhar espaços em uma grande mídia que antes o defenestrava por conta dos inquéritos que responde etc.

Se de um lado, isso é válido para Renan Calheiros, também o é para o senador Fernando Collor de Mello. O opositor do governador Renan Filho se reelegeu ao Senado Federal, nas passadas eleições que disputou, com o apoio dos “Renans”. Não esqueçamos disso. Fernando Collor de Mello apoiou governos petistas e tentou ser candidato ao governo de Alagoas com o apoio dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), e Dilma Rousseff (PT).

Agora, Collor é Bolsonaro desde infância. Esse foi um dos pontos estratégicos nos quais se apoiou para refazer sua biografia, inclusive se apresentando mais bem-humorado nas redes sociais.

Enfim, quase todo político alagoano já tem experiência em ser uma personagem dantesca em busca do círculo mais promissor nessa “Não-Divina Comédia”. E como posto em Dante, no início da jornada, eles também se indagam sobre os obstáculos do meio do caminho. (Perdão, caro Dante, por citá-lo. Não quero com isso comparar tal cenário fisiológico ao Inferno ou Purgatório, mas apenas frisar que não possui nada de Paraíso).

Esses são dois exemplos mais visíveis. Todavia, nas alianças de amanhã sempre é possível encontrar as contradições do ontem. Logo, possibilidades remotas, na política alagoana, não são realidades descartadas. Aqui, até boi pode voar… Ou: o mais bobo consegue beliscar azulejos depois de dar nós em pingos d’água.

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