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Reportagem da Folha diz que CPI ignora conflitos de interesses entre Renan Calheiros e empresa investigada

Lula Vilar|
Senador Renan Calheiros
Senador Renan Calheiros / Agência Senado/Arquivo

Na manhã de hoje, uma matéria do jornal Folha de São Paulo afirma que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid tem ignorado possíveis conflitos de interesses entre o senador Renan Calheiros, que é o relator da Comissão, e a empresa investigada Global.

De acordo com a reportagem, o possível conflito de interesses envolve Francisco Maximiano e a empresa Global. Os dois tiveram os sigilos quebrados pela CPI. 

O problema é que investigações teriam mostrado que houve transferências de R$ 9 milhões desta firma a Milton Lyra, que é suspeito de ser operador financeiro do senador alagoano do MDB.

Com isso, a CPI entra em sua reta final evitando discussões sobre o fato do relator investigar um empresário que é suspeito de ter feito repasses ilegais em favor do próprio senador e de outros nomes importantes do MDB.

Francisco Maximiano está no centro das apurações da CPI por conta da intermediação de outra empresa pertencente a ele: a Precisa Medicamentos. A investigação é sobre a compra da vacina indiana Covaxin pelo governo federal.

O questionamento envolvendo Maximiano diz respeito as ligações que ele, em tese, possui com o líder do governo na Câmara dos Deputados, o parlamentar federal Ricardo Barros (PP). O deputado federal já foi ouvido pela CPI e negou qualquer irregularidade.

Com as solicitações de quebras de sigilo feitas pelo próprio Renan Calheiros, foram obtidas informações que dizem respeito aos dados fiscais, bancários, telefônicos e telemáticos (e-mails e mensagens privadas) da empresa.

A CPI ainda solicita a comparação de movimentação financeira da empresa em relação aos três anos anteriores ao período em questão, o que chega ao ano de 2015. Porém, não houve qualquer pedido em relação à suspeição de Renan Calheiros, diante dos casos em que ele é citado anteriormente.

Ou seja: Renan Calheiros terá a sua disposição dados e documentos que já foram ou podem ser recolhidos em medidas de busca e apreensão pela Polícia Federal e, dessa forma, ter conhecimento antecipado sobre elementos que podem ser usados na investigação que o envolve.

Em entrevista à Folha de São Paulo, o senador Renan Calheiros afirmou – por meio da assessoria de comunicação – que a matéria é uma “ilação”. “É uma das coisas mais absurdas de que se tem notícia”. A assessoria de imprensa de Renan Calheiros nega que o senador conheça Maximiniano e afirma que “jamais teve operador”.

"Não por acaso, falsas imputações e ilações irresponsáveis já levaram ao arquivamento de mais de 2/3 das acusações feitas contra ele nos últimos anos. Esse inquérito por certo terá o mesmo destino", coloca ainda a assessoria de imprensa de Renan Calheiros.

"Eu nunca tive operador na minha vida. Minha vida sempre foi transparente, absolutamente transparente. Nunca me acusaram de ter operador”, chegou a afirmar Renan Calheiros durante a CPI, ao ser indagado sobre o caso envolvendo Milton Lyra.

STF

O inquérito que investiga o senador Renan Calheiros se encontra no Supremo Tribunal Federal (STF) e é relatado pelo ministro Luís Roberto Barroso, que investiga o suposto pagamento de benefícios ao senador alagoano por empresários que fizeram negócios relacionados ao Fundo de Pensão dos funcionários dos Correios: o Postalis.

De acordo com as investigações, as negociações teriam beneficiado Lyra. No caso da Global, a PF aponta a transferência de R$ 9 milhões ocorridas entre 2011 e 2015, que envolve empresas ligadas ao suposto operador. Somente em fevereiro de 2013, a Global fez um repasse de R$ 7,5 milhões a uma firma de Lyra.

A tese da Polícia Federal é de que os pagamentos foram feitos para garantir apoio político de Renan Calheiros á nomeação e manutenção no cargo de funcionários do alto escalão dos Correios e Postalis. A conclusão do inquérito – que foi aberto em 2017 – tem sido adiada para mais apurações. O conteúdo se encontra sob sigilo.

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