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Na ALE, falas do superintendente da “vice-governadoria” abre indagações que precisam ser respondidas pelo Executivo

Lula Vilar|
Sede da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE/AL)
Sede da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE/AL) / Foto: Divulgação

Afinal, qual a função dos servidores comissionados nomeados pelo Executivo estadual para trabalharem na Vice-Governadoria de Alagoas, uma vez que a sede do órgão se encontra desativada e o Estado não tem vice-governador, já que Luciano Barbosa foi eleito prefeito de Arapiraca?

Essa pergunta precisa ser respondida pelo Executivo estadual de forma clara e não por meio das notas e explicações até aqui dadas, que pouco respondem. Elas simplesmente não conseguem explicar, de forma precisa, o que fazem esses funcionários que são pagos com o dinheiro do contribuinte.

Diante disso, não faço aqui qualquer juízo de valor, nem acusações contra quem quer que seja. Não descarto a possibilidade desses servidores terem sido nomeados para um cargo A e hoje estejam executando função B, enfim… Porém, como se trata de dinheiro público é preciso que seja detalhado, uma vez que situação foi posta de forma pública e se cogita a possibilidade da existência de um “gabinete fantasma”.

É válido lembrar que esses servidores foram nomeados depois que Luciano Barbosa deixou o governo, nunca é demais frisar.

Nesta quarta-feira (8), por conta dessa situação sem explicação adequada até o presente momento, o superintendente de Planejamento, Orçamento, Finanças e Contabilidade da Vice-Governadoria de Alagoas, José Carlos Gomes, prestou depoimento na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, a partir de uma convocação (proposta feita pelo deputado estadual Davi Maia), que foi aprovada pelos pares.

A fala de José Carlos Gomes, na Casa de Tavares Bastos, mais confunde do que explica. Agora é que, mais do que nunca, o governo estadual precisa mostrar onde esses funcionários se encontram, que funções exercem e – de forma efetiva – qual o papel de uma Vice-Governadoria sem a presença de um vice-governador.

Até aqui, as contradições expostas têm feito o deputado estadual Davi Maia colocar – com certa razão – a existência de um conjunto de indícios que apontam para um “gabinete fantasma”. As falas de José Carlos Gomes, em vez de reduzirem, aumentam as suspeitas…

O superintendente afirmou, ao ser confrontado com fotografias dos demais comissionados, desconhecer quem eles eram. Um fato estranho, uma vez que foram – em tese – nomeados para o mesmo setor. Se há explicação, é preciso que ela seja dada o quanto antes.

Além disso, há um ponto revelado que é interessante de se frisar, a partir do depoimento do superintendente: somente nesse ano, o Estado já gastou R$ 447 mil somente com a folha de pagamento do órgão. E, no auge de uma briga política entre o ex-vice-governador Luciano Barbosa e o governador Renan Filho, os servidores da vice governadoria foram exonerados (em 29 de setembro do ano passado), mas o órgão seguiu tendo custos aos contribuintes: R$ 168 mil de custeio, R$ 16 mil do aluguel do prédio antigo e R$ 76 mil de indenização que o Estado foi obrigado a pagar ao dono do imóvel por causa de danos ao patrimônio.

A briga política da época, portanto, gerou essa despesa aos bolsos do contribuinte.

Retornando aos dias atuais, o que o superintendente falou na Casa de Tavares Bastos não traz explicação, mas – ao contrário – deixa ainda mais clara a necessidade do Executivo detalhar o trabalho desempenhando por aqueles que foram nomeados como servidores da Vice-Governadoria. Afinal, é dinheiro público.


 

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