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Discussão sobre convocação de secretários municipais mostra o quanto JHC tem dificuldades com sua própria base

Lula Vilar|
Câmara Municipal de Maceió
Câmara Municipal de Maceió / Foto: Reprodução

As dificuldades do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB), com a sua própria base governista, na Câmara Municipal da capital alagoana, é nítida. No primeiro semestre, o prefeito foi derrotado – mesmo tendo maioria – na apreciação de muitos vetos que eram considerados importantes pelo Executivo.

No dia de ontem, por pouco não foram duas derrotas sofridas, mesmo com todo o empenho do Executivo municipal para evitar que dois secretários fossem convocados pelos vereadores para prestar esclarecimentos na Casa de Mário Guimarães.

O assessor do prefeito Patrick Correa se empenhou pessoalmente na tentativa de convencer os vereadores a retirarem as assinaturas que já se encontravam nos dois requerimentos.

O primeiro requerimento – de autoria do oposicionista Joãozinho (Podemos) – contou com o apoio de 14 edis. Joãozinho propôs a convocação do secretário de Desenvolvimento Territorial, Pedro Vieira, por conta de denúncias feitas ao Ministério Público Estadual que envolvem a pasta.

Já o vereador da base governista João Catunda (PSD) apresentou um requerimento convocando o secretário de Educação, Élder Maia. O assunto é o retorno das aulas e a estrutura das escolas municipais.

O fato é que, mesmo tendo trabalhado nos bastidores pela retirada das assinaturas, os vereadores da base governista negaram o pedido do Executivo e mantiveram o apoio às convocações. A sessão ordinária na qual os requerimentos seriam votados (ontem) teve que ser suspensa pelo menos duas vezes para o entendimento.

Nem os posicionamentos mais fortes do líder do governo, vereador Siderlane Mendonça (PSB), e do vereador Luciano Marinho (MDB), surtiram efeito na tentativa de convencer os pares.

O entendimento só chegou por bastidores e sem qualquer influência do Executivo municipal. Mendonça teve que marcar as agendas para a vinda de Pedro Vieira e Maia por meio de convite. Dessa forma, garantiu que os requerimentos fossem retirados de pauta, mas não derrubados. A depender do que falem os secretários municipais, nas reuniões que terão com os vereadores, as convocações voltarão para a Ordem do Dia com as assinaturas dos “governistas”.

A situação é reflexo do que os vereadores, nos bastidores, creditam como “falta de diálogo”. Em sessões passadas, Silvânia Barbosa (PRTB) já chegou a reclamar, por exemplo, de não estar sendo recebida na Prefeitura de Maceió.

Catunda já fez duras críticas a Élder Maia, Chico Filho (MDB) já criticou bastante as políticas de reordenamento urbano na tribuna da Casa de Mário Guimarães.

O fato é que a bancada governista de JHC – na hora de usar a tribuna – não deixa a dever aos opositores, que são minoria. Em outras palavras: quase toda a bancada governista se comporta da forma mais independente possível.

A tarefa de azeitar as relações, no início do ano, era atribuída ao secretário de Governo, Francisco Salles, que acabou se desgastando por conta de seus próprios méritos. Resultado: JHC escalou Patrick Correa para a tarefa. Este, como já dito aqui no blog, tem sido muito mais competente na construção de pontes, inclusive com os opositores, sempre buscando trazer soluções.

A relação com a Câmara de Maceió também nos traz outra reflexão: Francisco Salles, que iniciou a gestão de JHC como um “supersecretário” é, atualmente, um nome deixado de lado pelo menos nessa “missão” com o Legislativo. Na relação com a Casa de Mário Guimarães, a secretaria de Governo é peça decorativa.

Todas as missões de atender pleito, resolver problemas, responder questionamentos estão nas mãos de Patrick Correa, que tem buscado dar respostas como pode.

No dia de ontem, os secretários acabaram não sendo convocados. Porém, as retiradas dos requerimentos de pautas soaram como vitórias dos vereadores. O oposicionista Joãozinho, por exemplo, saiu da sessão maior do que o que entrou, arrancando até mesmo pedido de desculpas por parte do líder do governo Siderlane Mendonça e expondo a fragilidade da Prefeitura com sua base, pois mesmo aqueles governistas que pediram para substituir a convocação por convite fizeram questão de frisar que se Joãozinho não retirasse acompanhariam o edil do Podemos e convocariam o secretário.

Hoje é difícil saber o tamanho exato da oposição a JHC na Câmara. Afinal, nem toda ela é declarada… Vale lembrar que um dos golpes mais duros que o prefeito levou, inclusive com os votos da bancada, foi a redução do percentual de remanejamento na peça orçamentária.

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