Três deputados estaduais repercutiram o caso da prisão do ex-deputado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, na manhã desta terça-feira (17), durante a sessão na Assembleia Legislativa de Alagoas. Os deputados Antônio Albuquerque (PTB) e Davi Maia (DEM) falaram que a liberdade de expressão está sendo ‘tolhida’ e disseram que o país tem vivenciado uma “ditadura da toga”.

Quem iniciou o assunto foi Antônio Albuquerque que é do mesmo partido de Jefferson. Ele disse que tem visto com preocupação alguns fatos e lamentou a prisão do ex-presidente nacional.

“Vejo algumas inconstâncias nas relações entre os Poderes. Quero dizer que sou absolutamente contrário aos exageros, não sou defensor das posições radicais. Faço essa fala porque estou muito incomodado e lamentando profundamente a prisão do ex-deputado”, disse Albuquerque.

Segundo ele, a prisão foi motivada pela forma de Roberto expressar suas opiniões. “Quero deixar claro também que não concordo com algumas opiniões dele em certas oportunidades”.

Para Albuquerque, a liberdade de expressão vem sendo tolhida. “Não podemos aceitar. “Daqui a pouco vai ser crime o cidadão ser contra a ideologia de gênero, não aceitar linguagem neutra e defender de forma firme os valores da família”. 

O deputado disse que o país vive uma “ditadura da toga” e falou sobre o Supremo. “O STF é o guardião da Constituição. Não pode ser de lá a edição de uma medida que venha depor, de forma grave, e que venha descumprir aquilo que é determinado pela Constituição Federal”, acrescentou.

Em aparte ao deputado estadual Antônio Albuquerque, Davi Maia concordou que o país vive uma ditadura da toga e que ele quer continuar defendendo a liberdade de opinião que está sendo tolhida. Além disso, o parlamentar disse que ao que tudo indica, o Brasil caminha para a ditadura.

“Virou crime você criticar a Justiça. O TSE proibiu um repasse de dinheiro aos criadores de conteúdos digitais do Youtube. Isso é perto do que aconteceu com a ditadura que proibiu a imprensa de veicular qualquer material que tivesse ligação com o comunismo. Estamos vivendo a mesma coisa”, comentou.

O deputado Francisco Tenório disse que não concorda com a forma que o presidente Roberto Jefferson se referiu aos ministros do Supremo. “Estamos vivendo uma fase de modismo em que já temos forças antagônicas opositoras e torcidas radicais com uma direita agressiva que ataca a esquerda que também é agressiva”.

Porém, Francisco disse que não concorda com a prisão do ex-deputado. “A própria Justiça está desrespeitando. Vivemos um momento processual penal em que primeiro se investiga, comprova a prática do delito e julga para prender. No caso dele, prenderam para depois processar”.