Incêndio atinge galpão da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo

Redação com Agências|
Incêndio atinge galpão da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo
Incêndio atinge galpão da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo / Foto: Estadão

Um incêndio atingiu na tarde desta quinta-feira, 29, o galpão da Cinemateca Brasileira, no bairro Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. O prédio abriga o acervo fotográfico da instituição. Corpo de Bombeiros recebeu a ocorrência às 18h04 e, de acordo com o órgão, 11 viaturas estão trabalhando no local. Ainda não há registro de nenhuma vítima e a causa do fogo não foi descoberta.

A Cinemateca Brasileira é administrada hoje pela Secretaria Nacional do Audiovisual, braço da Secretaria Especial de Cultura e subjugada ao Ministério do Turismo. Ainda em 2016, um dos galpões da Cinemateca foi atingido por um incêndio que destruiu mil rolos de filmes, correspondentes a 500 obras – a maior parte cinejornais.

As primeiras informações apontam que todo o primeiro andar foi atingido pelas chamas, onde ao menos três salas que contém arquivos históricos do acervo foram consumidas pelo fogo.

O incêndio teria começado durante a manutenção do sistema de ar-condicionado. Em nota, a Secretaria Especial da Cultura afirmou que “todo o sistema de climatização do espaço passou por manutenção há cerca de um mês como parte do esforço do governo federal para manter o acervo da instituição”.

A Secretaria Especial de Cultura, órgão do governo federal, confirmou ainda que pediu apoio da Polícia Federal para investigar as causas do incêndio. “Só após o controle total [das chamas] pelo Corpo de Bombeiros que atua no local poderá determinar o impacto e as ações necessárias para uma eventual recuperação do acervo e, também, do espaço físico”, diz a nota.

O imóvel atingido pelo fogo não é a sede principal da instituição, que fica na Vila Clementino, mas também guarda parte de seu acervo, como a documentação do Instituto Nacional do Cinema, do Concine (Conselho Nacional de Cinema), cópias de segurança de filmes e, possivelmente, arquivos de filmes do curso de cinema da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

A casa de cultura já sofreu com quatro incêndios em sua história. No último deles, a sede da instituição, que fica na Vila Clementino, foi atingida pelo fogo em fevereiro de 2016. Na ocasião, cerca de 500 obras foram destruídas. 

Criada em 1940, a Cinemateca Brasileira é responsável pela preservação e difusão da produção audiovisual brasileira. Tem o maior acervo da América do Sul, formado por cerca de 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema, como fotos, roteiros, cartazes e livros, entre outros.

Em um manifesto redigido por funcionários da Cinemateca Brasileira, divulgado em abril de 2021, foi alertado, entre outras coisas, para riscos de incêndio no acervo pela falta de manutenção do local. 

Desde 2019, a Cinemateca vive uma crise de gestão, quando o contrato da organização social que administrava o acervo foi interrompido pelo governo. A Associação Educativa Roquette Pinto, a ACERP, tinha um contrato para contratação de pessoal especializado e manutenção do acervo. O governo federal assumiu o controle, mas ainda não abriu uma nova licitação.

A gestão do instituto voltou ao governo federal em agosto de 2020. Um mês antes, o Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça por abandono. A ação foi suspensa em maio deste ano, depois que o governo se comprometeu a mostrar planos de ação para preservação do patrimônio em até 45 dias.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Todos os direitos reservados