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Rodrigo Cunha já se posiciona como candidato ao governo, ainda que de forma indireta...

Lula Vilar|
Assessoria

Em recente entrevista ao Tribuna Hoje, o senador Rodrigo Cunha (PSDB) respondeu, ao ser questionado sobre a possibilidade de disputar o governo de Alagoas, da seguinte forma: “não descarto essa possibilidade, acredito que tenho atributos para concorrer sim ao governo, mas nesse momento o foco é combater a pandemia da Covid-19 que ainda está aí”.

Ou seja: Cunha adotou o discurso da cautela, como se o xadrez político fosse secundário e não concorresse, ao menos paralelamente, com o papel que desempenha enquanto senador. É que Rodrigo Cunha adota – nesse discurso – o tom tradicional dos políticos que, diante dos holofotes, se posicionam de forma diferente dos bastidores. É uma tradição.

O senador, no entanto, sabe muito bem que seu nome vem se consolidando desde que se elegeu para o Senado e que, com a vitória de João Henrique Caldas, o JHC (PSB), para a Prefeitura de Maceió, esse projeto político real e existente deu um passo adiante. Natural que, assim como o mandato, seja também prioritário. Todavia, o marketing do bem não permite que as coisas sejam tão explícitas.

Afinal, fazia sim parte desse “acordo político”, o senador apoiar JHC para a Prefeitura da capital alagoana e, na eleição vindoura, JHC devolver o apoio tendo Cunha como seu candidato ao Executivo.

Quando em entrevista à Tribuna Hoje, Cunha trata o tema como uma “possibilidade”, dentro de um discurso que soa mais ou menos assim: “pode ser que se concretize ou não, mas a minha preocupação principal é o mandato de senador, o resto a gente vê depois”. Falácia. O “resto” já está sendo visto agora.

Ora, não é de se discordar que o senador Rodrigo Cunha tenha uma preocupação total com seu mandato. Isso é verdade. Ele tem feito projetos, trabalhado no Senado Federal com propostas que merecem até elogio, como o caso do “nome limpo”, da defesa inicial que fez em relação às implantações de creches e outros pontos. Há também motivos para críticas, enfim… Porém, é ingenuidade achar que o senador enxerga a disputa pelo governo como uma possibilidade que ele não descarta. É mais que isso, com certeza!

Rodrigo Cunha trabalha – e é legítimo isso – para ser candidato. Só não será, ao que tudo indica, se as circunstâncias descartarem ele, o que é diferente dele descartar a possibilidade.

Entre essas circunstâncias, está a possibilidade da “mosca azul” – diante das pesquisas de intenção de votos que vem sendo realizadas – picar o prefeito JHC. Afinal, nas mais recentes avaliações feitas pelo Paraná Pesquisas, Data Sensus, Falpe e outros, o nome do chefe do Executivo municipal surge mais bem posicionado que o de Cunha. Eles são do mesmo bloco político.

Não creio que seja a intenção de JHC, mas – em política – há quem não goste de observar cavalos passando selados. Em todo caso, creio que hoje, o senador Rodrigo Cunha é o candidato do grupo e o prefeito apoia essa construção.

Agora, que a declaração dada ao Tribuna Hoje é uma clássica “ensabonetada” em que os políticos assumem o “marketing do bem” para parecerem “desinteressados” e não tão “ambiciosos”, isso é. O que é uma bobagem, pois nada mais natural de que Rodrigo Cunha ter a pretensão e trabalhar, dentro do grupo político ao qual faz parte, a estruturação de uma candidatura que é natural. Mas é que o senador se acostumou – e é afeito – às declarações politicamente corretas ou que possam ficar ali se equilibrando em um muro, mesmo tendo muita coisa interessante realizada em seus anos de mandatos, seja como senador ou deputado estadual.

O que descrevo aqui é ainda reforçado pela mais recente postagem do jornalista Edivaldo Júnior, na Gazetaweb, que coloca o senador Rodrigo Cunha como candidato ao governo do Estado e divulga um texto enviado pela assessoria do tucano.

No texto da assessoria de Rodrigo Cunha é trabalhada – de forma enfática – a fala do governador Eduardo Leite (PSDB) dando o aval à candidatura do senador alagoano ao Executivo estadual. Na matéria enviada à imprensa não há a fala de Rodrigo Cunha, mas como para bom entendedor basta meia palavra, Edivaldo Júnior compreendeu muito bem o posto e foi no foco.

Apoiando-se nas declarações de Leite e, por meio de sua assessoria, Cunha utilizou dessas entrelinhas para ser mais assertivo do que foi na entrevista da Tribuna Hoje. Afinal, se não é ele mesmo que fala, então vale assumir a candidatura por via indireta e fazer o teste. Que o Leite fale por Cunha e aí se mede o termômetro e a reação da opinião pública...

Promoção inteligente da própria posição no xadrez político; não há o que se negar, ainda sabendo que essa fala de Leite não tenha sido o ponto auge do evento, pois o governador Gaúcho também tem como foco promover sua candidatura à presidência, ainda mais diante das brigas internas pelas quais passa o PSDB nacional.

Eis a fala de Leite reforçada pela assessoria de Cunha, que é inclusive o trecho que sustenta a manchete do release: “Rodrigo Cunha tem todas as credenciais para ser o candidato do PSDB. O senador tem a competência, a qualidade técnica e ao mesmo tempo a vontade e a disposição para ser governador. Esta é uma decisão do PSDB e dos apoiadores locais e a política precisa ser feita com esta coragem. Rodrigo Cunha tem o nosso apoio e receberá todo o nosso respaldo, assim como deve receber dos apoiadores locais em Alagoas”.

Falas de Cunha nesse texto oficial? Não há! Afinal, o senador tucano, caso questionado sobre a informação que consta no release de sua própria assessoria, será cauteloso como foi no Tribuna Hoje. É do jogo!

Linhas e entrelinhas: pontos interessantes dos discursos na política…

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