Aumento no preço dos combustíveis: alagoanos adotam medidas para “gastar menos”; economista fala sobre impactos

Raíssa França e Rebecca Moura*|
Posto de gasolina
Posto de gasolina / Foto: Agência Brasil/Arquivo

O aumento no preço dos combustíveis tem pesado no bolso da população. Em Alagoas, o preço médio da gasolina chegou a R$ 5,83. Para ‘tentar driblar’ essa alta, alguns alagoanos adotaram estratégias para economizar. O Cada Minuto ouviu dois alagoanos que contaram como estão buscando economizar, e o economista Cícero Péricles que explicou sobre os impactos que inúmeras famílias estão vivenciando.

O estudante de odontologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Victor de Melo, 23 anos, contou que desde o último reajuste no preço dos combustíveis, ele precisou reduzir a frequência de saídas de carro. “Optei utilizar apenas quando realmente necessário”.

Victor disse que como a Ufal estava com as atividades suspensas, ele não estava sentindo o aumento no bolso. Porém, ele precisou retornar às atividades e precisa se locomover entre a Ponta Verde e a Ufal.

“Começou a ficar inviável dentro do meu orçamento enquanto estudante”, falou.

A medida encontrada por ele foi oferecer carona e dividir o valor com mais três pessoas da faculdade. “Mesmo havendo o risco de exposição ao coronavírus, foi o único meio a fim de evitar utilizar os ônibus que estavam sujeitos a um risco ainda maior”.

Outra medida para economizar foi o abastecimento através dos aplicativos que possuem política de cashback. “Não economiza muito, mas já ajuda”.

Para ele, essa situação que o país vive com o aumento de combustíveis é fruto de um governo “incompetente e desonesto que visou o interesse próprio em detrimento do futuro do país”.

“Troquei o carro pela Uber”

Marina Correia, de 26 anos, é formada em administração e contou que desde o reajuste, andar de carro ficou inviável.

“Muito gasto. Eu não tenho condições de ir trabalhar todos os dias e gastar em média mais de R$ 150 por semana”, disse.

Uma alternativa encontrada para Marina -- que trabalha fazendo visitas em empresas -- foi a de andar de Uber. “Não sei como os motoristas estão conseguindo, sabe? A gasolina está muito alta e de vez em quando, a corrida nem compensa, mas encontrei essa forma de ‘economizar’”.

Reajustes geram aumento em quase toda economia

O economista Cícero Péricles disse que os reajustes dos combustíveis geram aumento de preços em quase toda a economia.

“Visto que os custos de transporte têm influência direta na inflação, afetando tanto o custo de vida das famílias como o custo de produção das indústrias, comércio e serviços”.

Péricles disse que em Alagoas existem 400 mil automóveis e 380 mil motos que consomem regularmente a gasolina.

“Como esse combustível subiu 46%, nas refinarias, somente este ano, os gastos das famílias ficam maiores e, por outro lado, os reajustes reduzem os ganhos daqueles que trabalham com táxis ou transporte por aplicativo, do tipo Uber e 99”, analisa.

Economista Cícero Péricles 

Questionado sobre o impacto do reajuste na vida dos alagoanos, o economista avalia que estamos vivendo uma conjuntura marcada pelo alto desemprego e inflação de taxas crescentes, que retiram renda da população.

Ele explica que no caso de Alagoas, com 80% da população recebendo até dois salários mínimos, os impactos diretos e indiretos dos aumentos dos combustíveis devem representar mais queda na renda das famílias e diminuição do consumo.

Conforme a análise de Cícero, o aumento mais recente dos combustíveis segue a lógica da política de preços da Petrobras adotada desde 2017, com a paridade de preços com os do mercado internacional do barril de petróleo, assim como do valor do dólar.

“Os preços dos derivados sofrem influência pesada do dólar e do valor do barril de petróleo. Como tivemos oito reajustes expressivos de janeiro até agora, o preço da gasolina acumula um aumento de 46%, o diesel 40% e o gás 38%. Antes, o reajuste era trimestral levando em conta as variações dos preços do ano inteiro, que subiam menos e mais lentamente”, concluiu.

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