“Provavelmente haverá necessidade de terceira dose”, afirma infectologista sobre vacina contra a Covid-19

Rebecca Moura*|
Vacinação na capital
Vacinação na capital / Foto: Secom Maceió

Um estudo da Universidade de Oxford aponta que a  terceira dose da vacina contra a Covid-19 aumenta as respostas imunes de anticorpos, no entanto ainda não há evidências de que essa dose de reforço seja necessária, especialmente devido à falta de vacinas em alguns países. Em Alagoas, especialistas avaliam que a terceira dose da vacina pode ser fundamental para combater variantes.

Ao CadaMinuto, o médico e infectologista Fernando Maia analisa que o vírus sofre diversas mutações que o deixam ainda mais contagioso, por isso pessoas já imunizadas contra o coronavírus podem receber uma terceira dose de vacina.

“Provavelmente haverá necessidade de terceira dose mais na frente, semelhante a como a gente faz com a gripe, que precisa revacinar todo ano. Vamos ter que fazer com que a vacina incorpore essas novas variantes, para que se possa dar imunidade necessária para as pessoas”, pontua.

Revacinação em idosos

De acordo com um estudo internacional em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), a vacina CoronaVac apresenta efetividade de 42% depois de 14 dias de aplicação da segunda dose em pessoas com idade média de 76 anos. O infectologista explica que esse efeito é esperado entre idosos e o mesmo acontece com outras vacinas, porque o sistema imune funciona pior conforme envelhecemos.

“No envelhecimento ocorre diminuição do sistema imunológico, então é esperado que qualquer doença, de qualquer vacina, ocorra a diminuição dessa resposta. Não é exclusividade da vacina contra a Covid-19, é qualquer vacina”, explica.

Fernando Maia pondera ainda que as novas variantes são mutações que ocorrem no vírus e fazem com que ele escape da nossa imunidade. Por isso que mesmo pessoas que já tiveram a doença por um tipo, podem ter a doença por um novo tipo, uma nova variante.

“Variante tem maior capacidade de infectar pessoas mais jovens”

A diretora médica do Hospital Escola Hélvio Auto e infectologista, Luciana Pacheco, avalia que ainda não existem evidências científicas para a necessidade de reforçar a imunização com a terceira dose, no entanto as novas variantes têm maior capacidade de infectar os mais jovens e sem comorbidades.

“A variante que predomina no Brasil,  a P1 ou variante gama, tem maior capacidade, inclusive de infectar pessoas mais jovens, com quadros mais graves mesmo sem comorbidades. Isso ocorre pela adaptação do vírus que encontra maior facilidade de invadir a célula humana, as células do sistema respiratório. As variantes  escapam da resposta imune dos indivíduos, e estão principalmente relacionadas à reinfecções”, esclarece.

A infectologista informa ainda que os estudos têm demonstrado que as vacinas contra a Covid-19 têm protegido a população contra casos mais graves e óbitos causados pela doença. “Estudos bem conduzidos na Inglaterra mostram que as vacinas utilizadas lá são eficazes contra a variante alfa,  encontrada naquele país. Alguns estudos têm também verificado a manutenção da eficiência da Coronavac no Brasil contra a variante gama,  encontrada inicialmente em Manaus e prevalente hoje no país inteiro”, diz

Pacheco alega que a necessidade de revacinação é possível, mas por enquanto é necessário vacinar a maior parte da população para cortar a transmissão do vírus e diminuir o número de casos e óbitos que ainda são altos no Brasil.

“Precisamos que as pessoas acreditem no poder de proteção das vacinas que causam pouquíssimos efeitos colaterais, que tomem as doses recomendadas e ainda sigam as medidas de proteção complementares e essenciais como o uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento físico enquanto não tivermos cerca de 80 % da população brasileira vacinada para, assim, voltarmos a nossa vida normal”, alerta.

*Com supervisão da editoria. 

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