Edmilson Teixeira
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Sobre sua irmã, jornalista publica nas redes sociais: Quem assassinou Suzana Marcolino?

Edmilson Teixeira|
Suzana Marcolino, foto que Ana fez questão de postar nas redes sociais com seu relato de sentimento vivenciado ao longo desses últimos  25 anos
Suzana Marcolino, foto que Ana fez questão de postar nas redes sociais com seu relato de sentimento vivenciado ao longo desses últimos 25 anos / Ana Luiza

 

A jornalista e radialista Ana Luiza Marcolino resolveu nesta véspera de São João (quarta-feira dia 23) publicar em suas redes sociais, um relato ao estilo de desabafo contra a Justiça brasileira, sobretudo quanto ao desfecho do julgamento do misterioso duplo crime  ocorrido há exatos 25 anos numa casa de praia em Guaxuma. As vítimas; sua irmã, Suzana Marcolino  e o empresário PC Farias, que apareceram sem vidas baleados dentro de um quarto, cuja repercussão do misterioso fato atravessou fronteiras internacionais pelo mundo a fora.  

Os saudosos pais de Ana e Suzana eram políticos em Palestina, Sertão de Alagoas. Seu Gerônimo foi prefeito e dona Maria Auxiliadora vereadora e chegou a ser presidente da Câmara. 

Abaixo segue o relato na integra de Ana Luiza Marcolino....

 

“Passados 25 anos e ainda não foram suficientes para que esse mistério fosse desvendado. Relembrar o impacto emocional que tomou conta de mim e de minha família naquele dia 23 de junho de 1996, ainda dói muito. É uma dor que aprendi a adormecê-la para poder dar sequência à minha vida durante todos estes anos.  

 

Foi assim que encontrei forças para enfrentar as outras dores que nos impuseram quando imputaram à minha irmã o crime de homicídio, seguido de suicídio, arrancando qualquer validação de nossa certeza que ela sempre foi inocente nessa trama.

 

Num clima de intranquilidade muito grande, saímos de nossa casa, de nossa cidade, retiramos as crianças da escola, largamos nossos empregos e fomos enfrentar, em outra cidade, enormes desafios para restabelecer o mínimo de paz do caos que nos colocaram.

Voltar nesse tempo não é fácil, principalmente quando eu tinha que costurar, por dentro, o meu sofrimento para aliviar o de minha saudosa mãe, que nunca desistiu em insistir pela inocência de sua filha.

 

Ela não suportou tanta dor e partiu ainda muito jovem, clamando por justiça.  Graças a Deus não precisou assistir à absolvição, por clemência, dos envolvidos na segurança da casa da praia de Guaxuma, onde aconteceu a tragédia e, consequentemente, o sentimento de dó que continua a livrar o verdadeiro culpado ou os verdadeiros culpados de suas penas, o que é uma pena não só para a família de Suzana, mas para todos os brasileiros que sempre quiseram saber o que realmente aconteceu. 

 

Mas a sua esperança, mãe, em ser provada a inocência de sua filha, apesar de passar tantos anos, foi realizada. O mesmo júri que concedeu clemência aos réus encerrou o caso como duplo homicídio, reconhecendo a inocência de Suzana Marcolino. E a nossa esperança continua viva para que o verdadeiro culpado ou culpados paguem pelos homicídios de Suzana Marcolino e Paulo César Farias.

 

Em memória de Suzana, apesar das lágrimas que teimam em cair, chegar até aqui, neste relato, me conforta e me fortalece ainda mais, porque é grandiosa a prova de amor e de fé de uma família que apesar de todas as injustiças, todos os sofrimentos, obstáculos e estigmas a que foi submetida, manteve-se digna, unida e continua de pé”

 

Por Ana Luiza Marcolino

 

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