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Podemos nega participação no governo estadual, mas Renan Filho e Rui Palmeira há muito não são rivais

Lula Vilar|
vereador Kelmann Vieira (PSDB)
vereador Kelmann Vieira (PSDB) / Foto: Assessoria

A nomeação do vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Maceió, Kelmann Vieira (Podemos), para a Secretaria de Prevenção à Violência do governo de Renan Filho (MDB) abre a discussão sobre a posição do Podemos no jogo eleitoral de 2022.

O partido será coadjuvante de alguma aliança ou partirá para construir candidatura majoritária, apostando no mome de Rui Palmeira? Seria Rui Palmeira uma possibilidade de composição em uma chapa liderada pelo MDB ou no “xadrez” do governador Renan Filho?

O Podemos diz que não há composição com os emedebistas, apesar do “sim” de Kelmann Vieira. Se verdade for, Vieira abandona a condição de soldado no Podemos para aglutinar e favorecer o grupo político do qual faz parte, que tem como um dos nomes principais, Cícero Cavalcante, o pai de sua esposa: a deputada estadual Flávia Cavalcante (PRTB).

Quanto ao ex-prefeito, o Ex-tucano Rui Palmeira terminou sua gestão sem estar filiado a partido político. No processo eleitoral passado, ele se uniu ao governador Renan Filho para tentar eleger o atual secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), como seu sucessor.

Mas, ambos – governador e ex-prefeito – foram derrotados pelo atual chefe do Executivo municipal, João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

Na aliança com o governador (em 2020), Rui Palmeira já comandava o Podemos, mesmo sem estar filiado. Afinal, qual político não tem um partido para chamar de seu, mesmo sem fazer parte deste, em Alagoas.

Tanto é assim que na união MDB-Podemos, para disputar aquela majoritária, o nome indicado para ser vice de Gaspar de Mendonça foi Tácio Melo (Podemos), homem de confiança do ex-prefeito.

Na gestão de Rui Palmeira, Kelmann Vieira – que era tucano e migrou para o Podemos – também era um “homem de confiança” do ex-prefeito.

Aliás, todos que chegaram ao Podemos antes de Rui Palmeira para lá foram por conta do ex-chefe do Executivo municipal, incluindo os vereadores eleitos Joãozinho (Podemos), Eduardo Canuto (Podemos) e Kelmann Vieira.

Ora, dificilmente Kelmann Vieira aceitaria o convite para ser secretário sem – pelo menos – o aval de Rui Palmeira. Claro, para o vereador há outros fatores em jogo, como já dito no texto: a consolidação da reeleição da sua esposa Flávia Cavalcante (PRTB) para a Assembleia Legislativa e um possível voo maior do próprio Vieira, disputando uma das cadeiras da Câmara dos Deputados.

Existe a possibilidade do movimento de Vieira ter sido sem o conhecimento ou aval de Rui Palmeira? Sim. Afinal, nunca faltou aproximação de Kelmann Vieira com o grupo dos Calheiros. Vale lembrar que ele já foi do MDB. Porém, diante dos planos que Rui Palmeira tem para o Podemos, é difícil crer nisso. Afinal, Rui Palmeira tenta organizar o partido e fazer um bloco sob seu comando.

A depender de como jogue esse xadrez, o ex-prefeito pode ser candidato a deputado federal (atualmente, o tamanho que parece lhe caber) ou a governador do Estado. O nome do ex-prefeito vem sendo cogitado nas pesquisas eleitorais para majoritária, vale lembrar.

A ida de Vieira para a estrutura do Palácio República dos Palmares pode abrir portas – mais uma vez – para Renan Filho e Rui Palmeira conversarem.

Em épocas passadas, esse diálogo foi surpresa. Afinal, o governador e o ex-prefeito eram rivais políticos. Mas, depois que ambos se uniram em torno do nome de Alfredo Gaspar, nada mais é novidade.

Não seria de se admirar que o Podemos integrasse o grupo político do MDB. O problema é que mais uma vez, Rui Palmeira perderia o completo protagonismo político. Todavia, é válido lembrar que o ex-prefeito sempre fez de tudo – direta e indiretamente – para perdê-lo, como por exemplo, praticamente sepultar o PSDB no Estado.

Oficialmente, o Podemos diz que o nome de Vieira não é indicação nem do Podemos, nem de Rui Palmeira. Trata-se de uma decisão pessoal do vereador e acomoda o grupo político do sogro do ex-presidente da Câmara, Cícero Cavalcante.

A nota do Podemos é a seguinte: “o Podemos Alagoas informa que a decisão do vereador Kelmann Vieira, ao aceitar secretaria no Governo do Estado, é estritamente pessoal. O Podemos deseja sorte a seu filiado na nova missão, e reitera que, o partido não faz parte da base de sustentação do governador Renan Filho”.

Bem, se não houve indicação do Podemos, não houve também “treta”, haja vista a posição cômoda do partido… Se isso influi no futuro de Rui Palmeira ou não, aí é outra história! O fato é que oposição ou situação nesse Estado é circunstancialmente determinada pela matemática eleitoral.

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