O poema vivido nasceu em 14 de janeiro de 1964.

Recife foi berço, Alagoas a sua estrada.

Carlindo Lira Pereira, Mestre na vida, Mestre nas letras.

O conhecido e festejado Professor Carlindo, como é mais comumente chamado, formou-se em letras pela Faculdade Estadual de Alagoas, hoje, UNEAL. Desde a sua Colação de Grau, logo iniciou as suas atividade na instituição que lhe outorgara o título acadêmico, onde faz parte de seu corpo docente.

Em um brevíssimo depoimento sobre a própria vida, a este admirador e amigo, Carlindo Lira destacou três instantes da sua vida, e neles seguiremos com esta pequena apresentação  biográfica, contudo, recheada de sentimentos, de coragem, força, e que mostra uma alma que ainda luta pela liberdade e igualdade entre os seres viventes nessa terra...

Sua mãe, Ivete; seu Pai, Carlindo, mestre em radiador.

- Aos seis anos, já nem Arapiraca, volta a passeio para Recife, com a mãe. Vão a um grande magazine, Mesbla, e escolhe um brinquedo, por sugestão de sua mãe. Ele escolheu quatro vezes o brinquedo, pois a escolha tinha que combinar com a possibilidade financeira da família naquele dia. Claro, o brinquedo cada vez menor, em comparação a sua primeira escolha, um brinquedo grande, que foi diminuindo até caber no orçamento da família.

Ao seu lado, uma família de origem oriental, que também escolhia um presente para o filho, onde a predileção da criança foi aceita de primeira. E o brinquedo escolhido não era nada pequeno.

O menino Carlindo, olhou para o lado, presenciou a compra daquele presente, olhou para o seu brinquedo pequenino, questionou-se; “oxente”, ‘como uma família que não é daqui pode comprar um brinquedo daquele, e eu não posso, que sou daqui?’ – Um momento desses há de marcar qualquer criança. E marcou.

Dali, o menino Carlindo cresceu como qualquer criatura que viveu algumas privações ao longo da sua formação.

Pré-adolescente, foi trabalhar com o pai, em uma oficina de radiadores, até queimar a mão com água fervendo, expelida por um radiador que estava em manutenção. Algumas sequelas depois, vem o que determinou a sua resistência ao sofrimento; a Hanseníase, que com muito empenho seu e da sua família, curou-se algum tempo depois. Terminou o seu ensino médio, no Quintela Cavalcante, e já lecionava.

Veio o segundo momento que marcaria, também, a sua formação e vida.

Nas reuniões que já fazia em sua adolescência, conhece, ali, figuras que lhe acompanharia em toda a sua trajetória.

Celso Queiroz, artífice da sua formação política.

    - “Esse foi o cara que me inspirou e contribuiu, sobremaneira, na minha maneira de ver e viver política”, declarou Carlindo.

A partir daí, a luta do Professor Carlindo por mais justiça social, inaugura as suas posturas perante os direitos e garantias para a cidadania plena.

Veio o terceiro momento e o mais significativo de todos eles. O dia que recebeu a notícia, pela sua amada, de sua gravidez. Ali, o mundo caia em seus pés, e surgia como o universo mais gracioso e terno; o universo da paternidade.

    - “Quando a Rita me falou que estava grávida, eu não sabia o que sentia; medo ou euforia! Quando a respiração voltou, voltou também a realidade. E era formidável o que eu sentia. Vi-me no estágio em que me encontro até hoje; um homem realizado! Com minha família formada, minha vocação em salas de aulas, e agora, os meus poemas vividos, num livro que anuncia Prelúdios Poéticos do que vivi até aqui”, finalizou o emocionado  Pró-reitor de Extensão da Universidade Estadual de Alagoas, a sua tão querida UNEAL, o poeta Carlindo Lira.