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Rui Palmeira se filia ao Podemos. Sem novidades, já era o partido do ex-prefeito…

Lula Vilar|
Rui Palmeira
Rui Palmeira / Foto: Amanda Falcão/Cada Minuto

No dia de hoje, o ex-prefeito Rui Palmeira, que se encontrava sem partido desde que deixou o “ninho tucano”, se filiou ao Podemos. Não há novidades. Desde a eleição passada que o Podemos já era a casa do ex-chefe do Executivo municipal. Faltava apenas oficializar.

Foi pelo Podemos que Rui Palmeira articulou, por exemplo, a indicação de seu ex-secretário municipal e homem de confiança, Tácio Melo, para ser o vice na chapa encabeçada pelo ex-candidato à Prefeitura de Maceió e atual secretário estadual de Segurança Pública, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB).

A indicação de Tácio Melo foi fruto da aliança entre Rui Palmeira e o governador Renan Filho (MDB), quando os dois – que eram opositores – se uniram em uma única frente, mas acabaram sendo derrotados na eleição de 2020 pelo atual prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

O Podemos de Alagoas – comandado por Melo, mas também por Rui Palmeira, ainda que não filiado – conseguiu o êxito de eleger uma bancada na Câmara Municipal de Maceió. Conseguiram se eleger Eduardo Canuto (Podemos), Kelamnn Vieira (Podemos) e Joãozinho (Podemos). Desses, assim como Rui Palmeira, Canuto e Vieira eram do “ninho tucano”.

Ora, que o Podemos abrigaria Rui Palmeira para algum projeto político futuro era apenas uma questão de tempo. Resta saber agora quais serão os caminhos de Palmeira. Lá atrás, o ex-prefeito de Maceió mirava em uma disputa pelo governo estadual em 2022. Todavia, muita água passou por baixo dessa ponte.

Palmeira teve a habilidade de conseguir desarticular uma oposição em Maceió.

Nunca um opositor do senador Renan Calheiros (MDB) e do governador Renan Filho foi tão benéfico para ambos emedebistas.

Afinal, quando – ainda no mandato de prefeito – teve a oportunidade de capitanear uma oposição que reunia um bloco político para disputar o Palácio República dos Palmares, Rui Palmeira abriu mão disso. Foi ali o nascedouro de uma hegemonia que levou Renan Filho a renovar o seu mandato de lavada em um primeiro turno.

Detalhe que já frisei em textos passados: o erro de Palmeira não foi deixar de ser candidato lá atrás, pois era uma escolha pessoal. O erro foi decidir não ser candidato no último minuto, o que reconfigurou a posição de muitos partidos no xadrez político, incluindo o PSDB (que era a casa do ex-prefeito).

Desde então, o PSDB apenas foi perdendo espaços e hoje – em Alagoas – se tornou um partido que se resume ao senador Rodrigo Cunha (PSDB) e as presenças na Assembleia Legislativa, como é o caso da deputada estadual Cibele Moura (PSDB).

Quem me acompanha sabe que já afirmei que Rui Palmeira foi o “coveiro dos tucanos”. Agora, quem assumiu essa missão inglória foi o senador Rodrigo Cunha, eleito com toda aquela expectativa...

Agora, dentro do Podemos, Rui Palmeira não tem o peso político que tinha antes. Sua caminhada para consolidar uma candidatura ao Executivo em 2022, dentro do atual cenário, é bem mais difícil, já que os grupos políticos – incluindo os partidos que um dia lhe deram suporte – miram em outros caminhos, seja a lado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), seja ao lado de Renan Filho.

No Podemos, Rui Palmeira poderá ser candidato a deputado federal, tentando retornar à Câmara dos Deputados, local de onde saiu para ser prefeito pela primeira vez.

Reflexo de quem fez questão de, na carreira política assumida, ir ficando cada vez mais silencioso, deixando o tempo correr e, em uma disputa política acirrada, como foi a de 2020, ter aceitado o papel de coadjuvante de Renan Filho, mesmo depois de ter sido um ferrenho opositor dos Calheiros. Isso foi um abalo na identidade política de Palmeira.

Mais que um novo partido, o desafio de Rui Palmeira será o de refazer a sua trajetória caso almeje voos maiores…

Quem recebeu Rui Palmeira no Podemos (oficialmente) foi a deputada federal Renata Abreu. Nas suas redes sociais, Abreu colocou como como um “Dia de Alegria”. Na prática, Rui Palmeira vai tentar agrupar uma turma e diante do que tem em mãos, indagar: “E aí, o que Podemos?”. É aguardar a resposta...

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