Filipe Valões
Filipe Valões

Tá na hora do auxílio-emergencial dos informais e ambulantes do turismo alagoano

Filipe Valões|

O turismo em Alagoas é base de nossa economia, mas essa base tem sido atingida severamente pela pandemia do coronavírus. E se empresários e outros integrantes do trade turístico sofrem com isso, o que dizer de quem atua na informalidade?

Os trabalhadores informais em Alagoas jamais tiveram diminuição em seus números. A cada ano, mais e mais pessoas foram obrigadas a buscar na informalidade o seu ganha-pão, diante de todos os problemas para entrar no mercado formal de trabalho. A luta nunca foi fácil, mas desde que a pandemia do coronavírus começou em 2020, esses batalhadores esbarraram em algo muito mais grave, o impedimento de circular e trabalhar nas ruas.

Um caso, em especial, carece de atenção especial por parte do poder público. Os ambulantes que atuam nas praias ou em outros locais que dependem dos turistas ou mesmo dos alagoanos aproveitando férias, estão em uma montanha-russa desde que o primeiro decreto estadual implantou restrições e distanciamento social. Totalmente destituídos de qualquer segurança financeira, eles se viram obrigados a ficar em casa, provisoriamente dependendo do auxílio emergencial. 

Eis que 2020 passou, o auxílio emergencial foi suspenso, mas a pandemia e as restrições continuam. Nos últimos 6 meses, foram várias idas e vindas das fases de quarentena, indo do amarelo ao vermelho, liberando e depois proibindo a atividade dos ambulantes onde eles deveriam estar batalhando pelo sustento. E o que Municípios e o Estado estão fazendo a respeito?

Claro que é preciso considerar o contexto geral, não há governo estadual ou municipal capaz de garantir plenamente uma renda que atenda os trabalhadores informais. É muita gente, em um cenário onde várias outras camadas da sociedade também precisam de suporte financeiro. Mas, se não é possível fazer tudo, que se faça um pouco, afinal, de grão em grão…

A nível federal, temos um deputado federal dos mais destacados, que já esteve à frente do Ministério do Turismo, com atuação reconhecidamente positiva para Alagoas. Marx Beltrão, conhecedor das realidades do setor, sabe o quanto os informais dependem do turismo e como essa relação é importante para a economia popular. Se antes da pandemia, era uma alternativa para minimizar as desigualdades, agora é uma tábua de salvação à qual muitos se agarram enquanto oram pela terra firme de um mundo pós-pandemia.

É preciso apelar ao deputado Marx, assim como aos demais representantes de Alagoas na Câmara Federal, para que algo seja feito por esses trabalhadores.

Aqui em âmbito estadual, uma possibilidade seria trazer os informais e ambulantes para um programa que acabou de começar com o pé direito. O Cartão CRIA, que cadastra e atende famílias em situação de vulnerabilidade, acrescenta uma fração importante ao principal programa de distribuição de renda do país, o Bolsa-Família. O governador Renan Filho e a recém-nomeada secretária de Desenvolvimento Social, Fabiana Pessoa, poderiam olhar com carinho a ideia de usar o programa do Cartão Cria e absorver a demanda dos informais e ambulantes.

Já em relação aos Municípios, os prefeitos e prefeitas precisam urgentemente reconhecer a presença e a necessidade das mulheres e homens que nos dias normais dependem apenas de si mesmos, nas praias e outros locais de movimentação para lutar pela sobrevivência. Mas que hoje merecem todo apoio do poder público que é, em sua essência, o poder autorizado pelo povo para servir ao povo.

A pandemia vai passar, todos estamos orando e fazendo nossa parte pra isso, mas até lá é preciso dar suporte a todos e, em especial, aos que mais precisam.

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Coluna sobre Política, Tecnologia

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